Wednesday, December 24, 2008

Os postais também cantam

Em tempos de recortes, colagens e reciclagem criativa, não surpreende que os vídeos musicais se inspirem nos postais ilustrados. É o caso deste videoclip russo (Oleg Chubykin, The Tourist, 2007) feito com postais ilustrados antigos da cidade de Vladivostok (clicar na imagem).

A Merry Christmas and a Happy New Year to you

"O Primeiro Postal De Natal" ?
"O primeiro postal de Natal surgiu na Inglaterra, pelas mãos do pintor John Callcott Horsley (1817-1903), em Dezembro de 1843, a pedido de Sir Henry Cole (1808-1882), director do South Kensington Museum."
E é assim, a propósito da quadra que nos cai este exemplar respigado dos "motores de busca". Será deveras o primeiro?! Ou é mais uma expressão daquela velha querela pela primazia das coisas, animada pelas burguesias nacionais das potências europeias da era industrial?!
Não interessa!
O que importa é que os Votos de um Feliz Natal e de um Bom Ano Novo, um dos desejos mais generosos que ecoa hoje por todo o planeta, serviu a razão de ser ao postal ilustrado logo nas suas origens, quiçá mesmo ao motivo do primeiro exemplar.
Um Feliz Natal e um Bom Ano Novo de 2009 a todos vós bloguesferianos que se interessam por postais ilustrados...

Thursday, December 11, 2008

Um postal turístico que não fala a língua universal dos postais turísticos

Fig. 1. Postal turístico de Zurique na origem da polémica noticiada pela imprensa internacional no início do mês de Dezembro



Fig. 2. Postal turístico tradicional da cidade de Zurique publicado numa página do Flickr (aqui)

"La carte postale touristique est une image policée qui ne semble tolérer aucun débordement. Ceci nous fait dire que le type d'images rencontré sur un tel support est toujours 'neutre' ou 'positif': la photographie de carte postale est une image 'lisse'.Nicolas Hossard, 2005: 40 (Recto Verso Les faces cachées de la carte postale. Paris: Arcadia Editions)
De facto, as imagens dos postais turísticos são habitualmente uma espécie de personagens planas na história da imagem e da publicidade... Conformes às expectativas e aos estereótipos, elas costumam corresponder à linguagem universal das belas paisagens e dos cenários aprazíveis, impecavelmente fotografados.  No entanto, há excepções e a provocação e a polémica tão frequentemente lançadas pela linguagem publicitária começeçaram ocasionalmente a contaminar os cartões-souvenir.  Um postal turístico de Zurique recentemente posto à venda nos quiosques da cidade (fig.1),  e cujo autor é o designer Tristan Hauser, é um desses casos. Representando a cidade através do nome da mesma escrito com cocaína, o designer, que já admitiu a falta de um 'aparelho' crítico na imagem de que é autor, chocou os cidadãos de Zurique, que enviaram inúmeros protestos ao jornal diário Tages-Anzeiger , responsável pelo concurso de postais, do qual Hauser foi um dos vencedores. A imprensa internacional acompanhou o debate em torno deste postal que segundo Frank Bumann, director do Turismo de Zurique e membro do júri do concurso, é apenas "uma alusão divertida" que faz referência a um aspecto da cidade que "é impossível ignorar". 

Tuesday, December 2, 2008

DVD-postal: além da face e do verso

Stand de postais multimedia (postal com mini-dvd, neste caso) numa loja de souvenirs em Veneza, em Novembro de 2008. O preço destes postais era de 7 euros.
 

Combinando uma imagem massiva com uma mensagem manuscrita e singular, o postal foi um dos primeiros meios de comunicação interpessoais a fazer uso da hibridez de recursos. O postal multimédia, o DVD-postcard ou a D-carte na versão francesa, acrescentam à imagem e ao texto do postal tradicional, as imagens em movimento, a partir de um disco (CD-rom, DVD, ou Mini-DVD) incrustado no interior do cartão postal. Estes postais digitais podem encontrar-se cada vez mais frequentemente nas lojas de turismo e não será nada surpreendente que daqui a uns tempos se torne usual recebê-los em casa, seja através de amigos e familiares que gostam de expor mais longamente os seus destinos de férias, seja através da publicidade que nos presenteia quotidianamente com as suas inovações e a quem já não escapam as potencialidades dos postais multimédia. 

À semelhança da incerteza que ainda hoje envolve a questão de quem foi o verdadeiro inventor do postal tradicional,  também não se consegue saber ao certo quem foi o pioneiro do conceito do DVD-postal.  As sucessivas pesquisas apontam para o croata Damir Maruscak, psicólogo e director da Janus Multimedia, que patenteou a criação do primeiro postal multimedia em 2001 (a World Intellectual Property Organization confirma-o). No entanto, em França a ideia da combinação do postal com um suporte multimédia é constantemente atribuída pela imprensa nacional a Claude Maidenberg, um jovem empresário e webdesigner - datam de 2005 as primeiras notícias on-line acerca da chamada D-carte


Mais informação sobre Damir Maruscak e o postal multimédia aqui

Mais informação sobre Claude Maidenberg e a d-carte aqui

Monday, December 1, 2008

Os postais como suporte publicitário

Free Cards: quando o consumidor leva a marca no bolso

Talvez fosse de esperar que, com o advento da era digital, os postais perdessem território face à panóplia de tecnologias que hoje oferecem aos anunciantes a possibilidade de encetar técnicas de marketing muito direccionadas e, ipso facto, potencialmente mais eficazes: banners, resultados patrocinados nos motores de busca, janelas pop-up, social media advertising, etc... Paradoxalmente (ou nem tanto), os postais como suporte publicitário ressurgem em grande força. Os free cards são a esse respeito paradigmáticos.

Várias razões poderíamos aduzir para justificar o sucesso de um meio aparentemente (só aparentemente) obsoleto num domínio tão implacável quanto o da competitividade empresarial. Intuitivamente, podemos apontar a gratuitidade, a criatividade e o formato apelativo como justificativas. Sem dúvida. Mas os free cards gozam de uma outra vantagem sobre todos recursos acima elencados: a certeza de que o público se identifica com a marca, com o produto ou com a mensagem. É que neste caso, a mensagem não é imposta. Distribuídos gratuitamente em locais estratégicos, os free card estão à disposição para serem examinados e, após exame, abandonados ou recolhidos. Assim, quando alguém guarda um free card, o contacto dessa pessoa com o anúncio publicitário resulta de um acto espontâneo, voluntário. Esse será o pormenor que faz a diferença.

A avaliar pelos resultados de um estudo apresentado pela Postalfree, a maior empresa portuguesa de distribuição de free cards, essa diferença traduz-se numa taxa de recordação da marca ou produto de cerca de 69%. Ainda segundo o mesmo estudo, da totalidade de pessoas que contactam com um free card, 55% guardam, 51% enviam, 46% coleccionam.

São números que seduzem aqueles que têm a responsabilidade de fazer chegar uma mensagem. E não falamos apenas de empresas, mas também, e de forma cada vez mais sintomática, de organizações sem fins lucrativos. Olhando portas adentro, temos na Saúde, na Cultura e na Educação exemplos disso.

No campo da Saúde, o postal já deu corpo a várias iniciativas, como as campanhas de prevenção do HIV, subscritas pelo Ministério da Saúde, ou a campanha de vacinação contra o Cancro do Colo do Útero, promovida pela Liga Portuguesa Contra o Cancro.

De forma semelhante, vários agentes culturais nacionais têm apostado nos free cards como veículo privilegiado de divulgação da sua programação. A título ilustrativo, apontemos o Museu Colecção Berardo, o Centro Cultural de Belém ou, mais recentemente, o Centro Cultural Vila Flor que encontrou neste formato uma solução muito criativa para comunicar a 17ª edição do Guimarães Jazz: para cada um dos concertos do festival foi produzido um postal; os vários postais foram anexados, dando origem a uma harmónica de postais. Desta forma, conseguiu-se, com um mesmo objecto, cumprir três funções: divulgação do evento, arquivo documental e, em certa medida, afiliação – a tal identificação do público com o referente, de que falávamos acima.
Por último, também as Universidades têm encontrado nos postais um suporte adequado à divulgação dos seus cursos e dos seus eventos. Deixamos, para concluir, um exemplar da casa.