Friday, May 22, 2009

The Picture Postcard Show '09


A edição de ’09 da feira internacional The Picture Postcard Show decorre entre os dias 3 e 5 de Setembro, no Royal Horticultural Halls, em Londres. 'The Great British Seaside' dá o mote a este encontro, que, conforme se anuncia, estará este ano especialmente vocacionado para temática marítima.


Informação mais detalhada sobre este evento pode ser consultada aqui. A edição transacta pode ser revisitada aqui.

Monday, May 18, 2009

O postal à mesa de mistura

Recto do postal de arte nº 13 da série 41 as Awami criada por Max Guedj e editada pela Galerie L'Oeil du Huit em 2002 (adquirido em Paris, em Janeiro de 2009) 
Connect... Draw... Remix, Matthew Falla, 2007

São duas criações aparentemente distantes mas que dizem sobre os postais algo semelhante... Contemporâneo das pioneiras fotografias, que deram a ver a primeira imagem do encontro entre o homem e a máquina (Walter Benjamin), o postal é uma outra figura desse encontro: carta pré-feita, o postal começa com a mistura das nossas velhas palavras manuscritas a uma produção maciça e impressa. Ora, os postais de arte inventados pelo francês Max Guedj põem precisamente em cena um teatro tipográfico no recto do postal, que desenha formas e completa mensagens, a partir do cruzamento da tipografia com o manuscrito. Já o designer londrino Matthew Falla, cuja obra se centra na combinação de suportes tradicionais (posters, souvenirs, postais) com as possibilidades interactivas da tecnologia e do multimedia, complica o jogo.   Connect... Draw...Remix é uma série de cartões pintados pelos seus utilizadores e  lidos por um leitor com cabo USB; no mesmo movimento em que vão traçando riscos com um lápis no postal, os utilizadores vão misturando música (um vídeo exibindo o processo está disponível no site oficial de M. Falla). Os postais de Guedj são tradicionais e podem ser enviados com as mensagens curtas e redundantes que sempre inscrevemos no verso dos cartões; os postais de Mathew Falla, referidos como postais pelo designer, e incluídos na obra Cartes Postales de FL@33, já quase não nos parecem postais... Mas ambos, enviados ou não, nos lembram que o postal, combinando uma reprodução em massa com uma mensagem manuscrita e singular, pressupõe na sua própria natureza um princípio de apropriação, de citação, de montagem, de mistura e de hibridação.

Thursday, May 7, 2009

O postal e a paisagem, algumas palavras a partir do texto de Marie-Pierre Zufferey

Capa do livro Le paysage envisagé/Art et cartes postales de Robert Ireland e Marie-Pierre Zufferey recentemente editado pela Infolio , na coleccção Archigraphy Paysages

"Un bonjour d'Afrique où je suis en train de faire un safari photographique. C'est une expèrience unique... Je fais des centaines de photos..." Este verso de postal que Zufferey (2009) transcreve na sua breve divagação sobre cerca de meia centena de paisagens de postais que lhe foram  enviadas ao longo dos anos lembra-nos o postal de 'vistas' contemporâneo, o postal de paisagem na era da revolucionária da fotografia digital. De facto, porque é que ainda se escreve nessa moldura móvel que é o postal quando se pode 'agarrar' a paisagem mais de cem vezes com uma minúscula objectiva fotográfica e enviá-la quase em simultâneo a partir do PC portátil ou do discreto telemóvel? Zufferey (2009) não convoca esta problemática no seu texto publicado muito recentemente pelas Éditions Infolio (Suiça) mas liga o postal a esse "tempo imóvel" dos "pôres do sol" e do "céu azul das férias", em que pouco ou nada muda senão "o nosso ponto de vista, o nosso estado de alma". 
Se a ideia de paisagem é ela própria uma ideia bem datada na história das imagens (que chegaria com o romantismo alemão, por volta do séc. XVIII), o postal nas suas infinitas variações não parou de a reproduzir e de a atravessar desde o séc. XIX. Imagem pobre e eficaz instrumento das indústrias de turismo, o postal também esquadrinha a paisagem em cantinhos de beleza universal e "jardins de atmosfera protegida". Insistem os especialistas que o primeiro postal ilustrado com paisagens foi comercializado em 1891 por Dominique Piazza, com as vistas da cidade francesa de Marseille. Miniatura de paisagem, o postal foi herdeiro dessas modestas pinturas de vedute que os turistas do séc. XVIII traziam consigo de Itália como souvenir da sua viagem. Hoje, entre GPS's e Google Earth's, o postal paisagístico continua a ser visto, escrito, lido, trocado e permanentemente reinventado: ora a preto e branco e a sépia, ora cheio de slogans e fogos de artíficio, ora com a simplicidade de um recorte de paisagem a cores, ora misturando o preto e branco e as cores, ora juntando vistas múltiplas... Como podemos ler na introdução ao livro pela editora, o postal é neste ligeiro texto de Zufferey um pretexto para abordar a paisagem na sua relação com o imaginário popular.