Sunday, August 26, 2018

Uma aplicação para mostrar a modernidade do postal

Os Correos de España criaram uma aplicação móvel para envio de postais ilustrados com fotografias personalizadas. Chama-se "Mi Postal" e é apresentado assim:

"uma forma simples e diferente de capturar os momentos únicos e mais alucinantes, compartilhá-los e emocionar quem se quiser com eles. Imaginas poder enviar postais com vida própria a alguém muito especial?"

O serviço está disponível apenas em Espanha (para envios de âmbito nacional) e tem um custo de 1,99 €.

Lembrando que o postal tem 145 anos de história, o El País escreveu sobre esta aplicação esta sexta-feira, 24 de agosto: https://elpais.com/tecnologia/2018/08/16/actualidad/1534426704_637208.html. 

A ideia é interessante, mas substitui o traço da caligrafia por uma tipografia eletrónica. A velocidade da tecnologia é inimiga da perfeição!

[Dica de Manuel Pinto]

Saturday, August 5, 2017

Postais da Europol dirigidos a fugitivos / Europol's postcards addressed to wanted fugitives

A Europol está a fazer uma campanha de Verão muito original. Produziu uma série de 21 postais dirigidos aos fugitivos mais procurados da Europa. Num comunicado citado pelo jornal Público, o Serviço Europeu de Polícia justificou a iniciativa explicando que os "destinos de férias são um esconderijo popular para criminosos a monte". Por isso, "quanto mais vistos forem os postais, melhores são as hipóteses de a polícia localizar estes criminosos e colocá-los atrás das grades".
Sabíamos que os postais podiam ter muitas funções, mas esta é, definitivamente, muito original!


Europol has prepared a very original summer campaing: a set of 21 postcards addressed to the most wanted fugitives in Europe. According to the press release quoted by Público, the European Police Service explained that "holiday destinations have proven to be popular hiding places for criminals on the run". For that reason, "the more the postcards are seen, the better the chance of police locating these criminals and putting them behind bars".
We already knew that Picture postcards could have diverse functions, but this one is, definitively, very original!

Sunday, December 4, 2016

175 ANOS DE ALBERTO SAMPAIO


"Hei-de morrer simples estudante vendo sempre, a cada passo, no assunto mais simples novos horizontes ignorados"
Alberto Sampaio (1841-1908)




Edição Postal comemorativa dos 175 anos do nascimento de historiador minhoto, percursor das ciências sociais e humanas em Portugal.

Coleção de Postais, produzida pelos Alunos de Artes Visuais da Escola Secundária de Alberto Sampaio (2015/16)

Sunday, August 7, 2016

Os postais e a promoção turística / Postcards and touristic promotion

De acordo com o jornal Público, o litoral alentejano está a promover-se em postais impressos na hora.



According to the Portuguese newspaper Público, the southern coast of Portugal has been promoted this Summer in postcards printed on the spot.

Friday, May 27, 2016

O formato postal na divulgação de eventos culturais

A associação cultural d'Orfeu, de Águeda, organiza todos os anos um Festival Intermunicipal de Músicas do Mundo - o Festim. Este ano a divulgação do programa é feita sob a forma de postais ilustrados.


The cultural association d'Orfeu, from Águeda, organises every year a Intercity Worldwide Musics Festival. This year the programme is promoted in a set of postcards.

Sunday, December 27, 2015

Postal de Boas Festas de 2015


Entre nós, dentro do espírito das Festas,  o Natal é aquele que tem mais força e profundidade. E como somos cada vez mais mundo, temos no princípio do advento aquilo que de mais generoso e solidário podemos por estes dias partilhar. É o mistério nos permite imaginar que de um curral, num lugar inóspito, uma manjedoura e umas palhas, pode emanar uma revolução que interpela toda a humanidade.


Este ano, como habitualmente, ao ter de "manufacturar" o postal de Boas Festas, deparei-me com uma inequívoca fotografia de Sebastião Salgado, em África, sugestivamente da sua obra Genesis e, sem hesitar... é verdade, sendo preciso recriar o presépio na sua autenticidade intemporal, estou certo, não andaria muito longe do que o fotógrafo fixou. Foi só proceder à instalação.

Feliz Natal e um Auspicioso Ano Novo de 2016

Tuesday, November 24, 2015

Janelas de Braga

Mais uma vez a suportar a edição de um livro. No caso, I love Braga - janelas, batentes e azulejos, do fotógrafo, Libório Manuel Silva (ed. Centro Atlântico.pt, Nov 2015), aqui partilhamos o postal ilustrado de uma composição de exemplares das primeiras, que dão motivo ao livro.


Aqui fica a sugestão de um passeio pelo centro histórico de Braga para admirar a diversidade de janelas que a cidade oferece, e que o olhar perspicaz de Libório captou e ordenou para nosso deleite. Na livraria perto de sua casa.

Monday, June 29, 2015

Concurso de postais sonoros

O audioblogue Arte Radio lançou um concurso de criação sonora, que convida à criação de 'postais' de som, "como uma pequena amostra da vossa vida, da nossa época, da estação", dizem. Estes 'postais' deverão ter 4 minutos, no máximo, e ser alusivos ao tema "Verão 2015".
Em tempos, o projeto Arte Radio já teve postais destes online. Eis a versatilidade do postal... ou o lado visual do som!



The Art Radio audioblog has just launched a competition of sound creation, which invites people to create sound postcards, "as a small sample of your life, of our epoque, of the season", they say. These postcards should be no longer than 4 minutes and regard the theme "Summer 2015". 
In the past, the project Arte Radio has already had these kinds of postcards online. Here it is the postcard's versatility... or the visual side of the sound!

Sunday, April 12, 2015

Kawara’s Postcards no Guggenheim (NY)

When was the last time you sent a postcard?

Questiona-se Caitlin Dover, no Daily Mail, a propósito de “I got up”, uma das doze secções de ON KAWARA – SILENCE (Feb 6 – May 3, 2015, GuGG, NY), a derradeira e, talvez, a mais extensa exposição de On Kawara (1932-2014), proeminente membro da avant-garde artística japonesa, da Tokyo do pós-guerra, que morreu em dia impreciso no ano passado em Nova York a poucos meses desta ser inaugurada. A secção que nos reteve a atenção é constituída por uma vitrine e 16 painéis (rampe three) exibindo mais de 1 500 postais ilustrados, em dupla face, dos cerca de 8 000!, que o artista expediu sistematicamente ao longo de 11 anos, entre 1968 e 1979, aos seus amigos e conhecidos, entre os quais se encontravam alguns dos mais referenciados artistas da década de 1970, tais como Kasper König, Sol LeWitt, Lucy Lippard, e outros.


Kawara optou por usar o espaço do verso do postal ilustrado destinado à mensagem para carimbar a invariável, quão intrigante, mensagem: levantei-me às”, indicando rigorosamente a hora a que o fazia, geralmente por volta das 10:00 e as 11:00 A.M. Tendo somente terminado o projecto apenas quando perdeu o carimbo de borracha com que apunha suas mensagens.
Mais do que uma expressiva série tão recorrente do conceptualismo artístico da época, onde poderemos situar a sua obra, os cerca de oito milhares de postais ilustrados chancelados à alvorada de Kawara têm um alcance bem mais vasto, porque traduzem uma filosofia de vida. Diríamos mesmo, para além do sentido da arte, do abstraccionismo sistemático do método e da disciplina férrea que esta comporta, a produção/expedição diária de postais ilustrados, que chegou a compreender, ao longo de anos, o envio de dois espécimes no mesmo dia, é um desafio à nossa imaginação, ao próprio conceito de objecto artístico. As demais secções da presente exposição assim o confirmam. Além dos cartões postais (I Got Up, 1968-79), veja-se, o exemplo: das Date paintings, (Today, 1966-2013) uma elegia à referenciação cronológica a partir da inscrição de uma data (a branco) sobre um fundo de tela monocromático (vermelho, azul, ou cinzento); mas sobretudo, making maps (I Went, 1968-79), o mapeamento através de uma linha vermelha em plantas vulgares fotocopiadas (24 vol’s), dos múltiplos itinerários urbanos que percorreu pelo mundo, com coordenadas, dando conta precisa do lugar, do tempo e das relações pessoais que travou; mas também, o catálogo diário dactilografado (I Met, 1968-79), organizado em volumes encadernados registando as pessoas com quem se encontrava diariamente; ou mesmo, as compilações exaustivas, dir-se-ia, algo obsessivas (One Million Years, 1970-98) em que dois artistas deveriam proceder à leitura de um livro de 20 volumes, a anunciar as datas que permeiam os anos de 998.031 AC e 1.001.995. Mas também, a partir da colecção de outros suportes corriqueiros, como: álbuns de recortes de jornais (I Read, 1966-95); calendários (One Hundred Years, 1970-98); ou os cerca de 1000 telegramas que enviou entre 1969 e 2000 aos amigos, artistas e coleccionadores de arte, começando por anunciar, I am not going to commit suicide don’t worry”, tendo prontamente moderado para “I am still alive”… e outros modos ainda, de expressão comunicativa minimal repetitiva, que se impõem pela sua cadência, método, e persistência. Estamos certos, num processo que é ele próprio de pulverização do tempo.
Aliás, Kawara, de cuja vida pessoal se conhece muito pouco, deu-nos testemunho dessa reconceptualização do tempo, quando por sua iniciativa resolveu contabilizar a idade em dias, facto que levou D. Zwirner (2015) a estimar a vida do artista em 29 771 dias. De facto, ainda que o seu amigo, o artista Lawrence Weiner, atestasse que Kawara “era apenas uma pessoa normal”, a prática de trabalho uniforme, obsessiva e inalterável ao longo de cerca de quatro décadas, e de que a série “I Got Up” é prova evidente, deixa-nos essa inquietação perturbante sobre o modo como concebemos e usamos o tempo. Metáfora perfeita, como o próprio concebeu, para instalar nas rampas em espiral do Solomon R. Guggenheim Museum, de New-York, obra-prima projectada  Frank Lloyd Wright.



Daqui poderemos extrair duas considerações fundamentais. Por um lado, a definição de um conjunto de protocolos e regras auto-impostas, que nos dão conta da descrição, detalhada ao pormenor, da vida pessoal do artista, desde que este se levantava até ao deitar. O tempo, o espaço e todos aqueles com quem interagia. Ainda e contudo, a visão egocêntrica do artista feita acto comunicativo que, como convergem D. Buren e D. Duray (2015), pressagia o mundo actual dos mídia sociais, onde as pessoas documentam continuadamente os pormenores da sua vida diária, independentemente da sua banalidade, como numa página do Facebook, a maneira como passam os dias, os lugares onde vão, e as pessoas que encontram, para deixar um rasto de metadados diário da sua [nossa] existência. E que acrescentaríamos, tal como Kawara enviava postais ilustrados aos amigos a anunciar a hora e o local onde se levantava, porventura também nós, hoje, utilizaremos, não muito diferentemente, as redes sociais electrónicas para registar a nossa pegada digital quotidiana.
Por outro lado, o trabalho de On Kawara convoca-nos para a questão do objecto artístico na era da sua reprodutibilidade técnica, desde logo através de um dos seus lídimos sucedâneos, a fotografia convertida em postal ilustrado, que o artista explora hiperbolicamente até à exaustão. Isto é, o conceito estético da repetição levado até ao paroxismo. Aqui mais do que uso material do postal ilustrado como um suporte, ou fim em si mesmo, o sentido da própria arte consubstancia-se, sobretudo, no acto de envio postal e na cumplicidade dos destinatários que com ele interagiam. Perspectiva que nos permite invocar W. Benjamim (1936) perante a desvinculação da “aura” do objecto artístico, da sua condição de peça única e singular. On Kawara, com o seu labor disciplinado e preciso, ao qual, estamos em crer, não será também estranha a sua sensibilidade oriental de origem, estabelece um modo de trabalho interpelador. Embora assente em suportes banais de representação do espaço e do tempo, apresentados sob uma conjugada vastidão oceânica, como certamente reconheceria W. Benjamim, a obra resgata os valores tão caros à essência canónica do objecto artístico. Tal como ocorreu com a Pop Art, a partir do reordenamento dos objectos, sobretudo, pelo impacte plástico da imagem do seu conjunto, a obra adquire uma nova unicidade, torna-se singular pelo método e, finalmente constitui-se autenticamente verdadeira pela filosofia de vida que proclama. O valor do uso que damos ao nosso próprio tempo.
Por exemplo aquele pequeno gesto que, depois de percorrer a exposição de On Kawara, no faz pensar no conhecido vaticínio de que aquilo que fazes, por mais ínfimo que seja, projecta-se no infinito e na eternidade.

A propósito, Quando [é que] foi [mesmo] a última vez que você enviou um cartão postal?


MSMB, Abril 2015

Tuesday, March 10, 2015

Do Post ao Postal, já disponível!

O livro Do Post ao Postal, organizado por Moisés de Lemos Martins e Maria da Luz Correia, já está disponível, com chancela da Humus. A edição é composta por sete ensaios dos membros da equipa do projeto de investigação O Postal Ilustrado: para uma sócio-semiótica da imagem e do imaginário, todos eles redigidos a partir das notas publicadas neste blogue, mas versando temas diferentes: Moisés de Lemos Martins narra o percurso da equipa e descreve o domínio científico dos postcard studies, Maria da Luz Correia reflete sobre a pertença fotográfica do postal ilustrado e a sua vocação lúdica, Helena Pires discorre sobre o postal enquanto forma de representação da paisagem, Miguel Bandeira problematiza a dimensão pública e privada deste meio de comunicação, Madalena Oliveira  revê o papel deste objeto de culto das indústrias de sedução e, finalmente, Albertino Gonçalves discorre sobre as diversas materialidades e excêntricas texturas de que se tem revestido o suporte. O manual impresso de uma centena de páginas é ainda acompanhado por um CD com a versão digital do livro e uma seleção dos posts publicados, entre 2008 e 2013, pelos inúmeros colaboradores do blogue Postais Ilustrados: além dos posts dos autores do livro Moisés de Lemos Martins, Maria da Luz Correia, Madalena Oliveira, Albertino Gonçalves, e Miguel Bandeira, há ainda notas publicadas por Aline Soares Lima, Catarina Miranda, Marlene Pereira e Nuno Borges Araújo. 

Tuesday, November 18, 2014

O mar está bravo em Brighton

Uma série de postais de Brighton com vistas fotográficas coloridas caraterísticas do início do séc. XX e com um lettering irónico mais consentâneo com o séc. XXI foi publicada há uns dias, sob o título Pick me up Postcards, em diversas páginas de design gráfico e ilustração. O seu ilustrador é o inglês Steven Wilson, que através destes remendos gráficos, nos convida a viajar no espaço e no tempo, a bordo dos seus postais ilustrados. Diga-se que a viagem no tempo não se confina ao tempo que passa, mas atinge também o tempo que faz, o clima, que não é propriamente ameno em Brighton, como se sugere na reprodução do céu cinzento e do mar revolto. Se a iconografia do postal português descreve frequentemente o nosso país como um "jardim à beira-mar plantado", na insular Inglaterra, o mar bravo tornou-se uma representação visual canonicamente associada ao postal ilustrado... A artista plástica Susan Hiller já tinha nos anos 70 recriado as ondas revoltas repetitivamente impressas nos cartões epistolares, ilustrados por fotógrafos anónimos, na instalação Dedicated to the Unkown Artists.

 Pick me up Postcards, Steven Wilson, 2014
Dedicated to the Unknown Artists, Susan Hiller, c.a. 1970

Tuesday, November 11, 2014

Braga na Grande Guerra

Cartaz da Exposição Braga na Grande Guerra: uma memória do Arquivo Aliança (1914-1918)


Até sábado, 22 de novembro de 2014, no átrio da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, uma exposição que revela alguns episódios registados pela Fotografia Aliança que tiveram lugar na cidade de Braga, no período da Grande Guerra.


A exposição dá a conhecer imagens inéditas do período, acompanhadas do registo gráfico realizado, à época, pela imprensa local. 
Compõe esta "memória", realizada a partir de espécimes fotográficos de antigo estúdio fotográfico de Braga em depósito no Museu da Imagem (Câmara Municipal de Braga), para além dos "episódios históricos", uma galeria de retratos de soldados.

Uma das ideias por trás desta mostra é a partilha de memórias associadas ao período - por isso se solicita aos visitantes da exposição que tragam até à Biblioteca cartas, fotografias ou postais com referência à participação de Portugal na primeira Guerra Mundial.

Saturday, September 20, 2014

Retratos da Brasilidade

Enviado gratuitamente da Câmara dos Deputados de Brasília no dia 29 de agosto. Chegou ontem, dia 19 de setembro, a Portugal. A iniciativa é um convite aos visitantes da Câmara dos Deputados e do Senado para 'postagem gratuita' para qualquer destino do mundo. Uma forma de dizer 'Eu estive lá'...

Sent for free from the Brazilian Parliament on August, 29. It arrived to Portugal yesterday, September, 19. An invitation for the visitors to the Parliament to 'free post' to no matter what address in the world. A way of saying 'I was there'...

Wednesday, July 23, 2014

Na volta do Correio

É pelo menos desde os anos 80 com Malek Alloula e o seu Le Harem Colonial, onde o autor analisa as representações da mulher argelina nos postais ilustrados, que o estudo deste meio de comunicação tem estado ligado às figurações colonialistas do império. Este grupo de investigação tem ensaiado caminhos na revisão das relações entre o postal ilustrado e a lusofonia salazarista. Juntando as visões públicas às memórias privadas na era do buzz, dos posts e dos feeds, o postal ilustrado tem-se associado nos últimos anos à imprensa tradicional como objeto no qual subsiste o apelo da materialidade. E na contemporaneidade, a nostalgia das coisas não resiste a juntar-se ao saudosimo das terras.  Desde abril que na compra do diário português Correio da Manhã, se podem recolher cópias de velhos bilhetes postais sob o mote 'Memórias de Portugal e Ex-colónias'. Mais informações: Postais ilustrados do Portugal do século XX no Correio da Manhã, Meios e Publicidade

Referências:
Alloula, M. (2001). Le Harem Colonial: images d'un sous-erotisme. Paris: Séguier.

Tuesday, April 8, 2014

Futurografias





No final do séc. XIX, os postais ilustrados com projeções das cidades do futuro eram um género visual popular. Objetos vernaculares onde se ensaiaram as primeiras fotomontagens de acordo com Dawn Ades, os postais da viragem do século dirigiam o nosso olhar, com a nitidez do grão fotográfico, para o horizonte de metrópoles futuras, onde pouco mais se distinguia para além de uma densa multidão atropelada por arranha-céus e pelos meios de transporte mais extravagantes. (Mais exemplos de "futurografias" podem ser consultados aqui)

Referências:
Ades, D. (1986). Photomontage. Londres: Thames & Hudson.

Monday, February 24, 2014

Sapatinhos de postal


Poder-se-ia procurar uma explicação razoável para a afinidade congénita entre o postal ilustrado e o sapato: afinal de contas, os mais genuínos viajantes, que arredam caminho, calcorreiam ruas e palmilham estradas, são também remetentes destas missivas que tantas vezes mostram as vistas de cidades distantes. Mas as coincidências que unem a história destes dois objetos parecem mais pertencer à sucessão misteriosa dos acasos do que ao mundo das justificações lógicas.


Grande parte dos colecionadores e ajuntadores de postais usa as caixas de sapatos para acumular os mais velhos e os mais novos cartões de mensagens, estejam estes manuscritos, estejam estes em branco. O hábito já é tão conhecido que no postal que publicita uma caixa destinada à “arrumação racional de postais ilustrados”, à venda num mercado de antiguidades na Rue des Martyrs em Paris, a dupla de cartófilos franceses responsável pela invenção se regozija pela novidade que acabará com o enfadonho ritual de guardar postais em caixas de sapatos. Certo é que esta caixa, espécie de gadget que se viria a revelar demasiado pesada e, por isso, um fracasso, segundo testemunha o comerciante de postais antigos, não “chegaria aos pés” da sua popular rival.


E se nas caixas de sapatos gratuitas cabem postais de todo o tipo, também nos postais gratuitos cabem muitos sapatos. Já é sabido que muitas marcas de sapatos usam o formato do postal para publicitar as suas coleções: os freecards, postais gratuitos distribuídos em stands próprios numa rede de espaços públicos, cujo público-alvo é maioritariamente jovem, são um criativo suporte das campanhas publicitárias de marcas de calçado urbano e desportivo.

Mas, mais do que isso, os postais tornaram-se recentemente o material de decoração e o veículo de promoção da cadeia de lojas de sapatos Camper. Martí Guixé, designer espanhol, tem desde o ano passado atravessado o globo para modificar as montras e o interior dos pontos de venda de calçado Camper de todo o mundo – Bruxelas, Paris, Copenhaga, Chicago, Istambul, Singapura... As Camper Postcard Shops já são um fenómeno de popularidade mundial: a ideia é que quem compre um par dos vistosos sapatos da marca espanhola tenha também direito a escolher, escrever e enviar um postal, no interior da própria loja.


Finalmente, também na história de arte, o sapato tem, pelo menos, desde Van Gogh, um lugar privilegiado, no qual o postal não está ausente... Não fosse um dos mais populares gestos da mail art  ou arte postal, a obra concetual 100 boots de Eleanor Antin (1971–73). Esta última consistiu na viagem de 50 pares de botas por vários lugares do mundo, no seu registo fotográfico, na impressão das fotografias em formato de postal e no envio destas a artistas, críticos de arte, curadores e escritores.


Ainda no que às artes diz respeito, se na história do cinema, Charlot tornaria célebre o gesto de degustar um sapato, na história da fotografia, são outros os episódios que pairam no imaginário coletivo. No dealbar do séc.XX, um homem atravessa as ruas de Paris, ainda vazias, nas primeiras horas da manhã, com uma rudimentar máquina fotográfica e eterniza as montras dos comerciantes de bairros pobres. Entre muitas outras vistas, fixa com a sua objetiva por volta de 1910 uma prateleira de sapatos do Marché de Carmes na Place Maubert em Paris. O seu nome é Eugène Atget, vive pobremente das fotografias que vende a comerciantes, editores de postais da época, ou ainda, como no final da vida, aos Arquivos Nacionais franceses. Além de objetos de culto dos surrealistas, que tanto apreciavam os acasos objetivos e as afinidades inusitadas, as suas fotografias depressa se transformariam em ícones da cidade de Paris, vendidos em formato de postal a muitos dos viajantes de passagem pela capital francesa. 


Referências

Freund, G. (1974). Photographie et Société. Paris: Éditions du Seuil.
Held Jr, J. (1991). Mail art: an annotated bibliography. Londres: Scarecrow Press.

Tuesday, February 11, 2014

Happy Birthday, I love you...: do postal ao mural


Seja com nostalgia, seja com desdém, tornou-se um lugar comum afirmar que já ninguém escreve postais: postais de férias, postais de Natal, postais de aniversário, postais de S. Valentim. Á medida que as palavras em papel escasseiam, sucedem-se os votos de feliz aniversário e as declarações de amor nos ecrãs: estes são hoje mensagens de todos os dias, ou mesmo de todos os segundos, sobretudo nas redes sociais. Assim o representa o primeiro e-card aqui reproduzido, postal eletrónico da Someecards, um dos mais populares serviços gratuitos de oferta de postais virtuais criado recentemente pelos britânicos Brook Lundy and Duncan Mitchell. 


Estes postais, virtuais ou reais, têm representado, com um humor mordaz, o que poderia ser descrito como os sintomas psicopatológicos de uma sociedade em rede. Se no seu aniversário, haverá quem fique com transtornos de ansiedade e ataques de pânico perante o bombardeamento de notificações do Facebook, no dia de S. Valentim haverá, imaginam os britânicos, quem tenha surtos de voyeurismo e não consiga largar a página do Facebook do seu ex-namorado. O lugar é mais uma vez comum, mas é mesmo verdade: mudam-se os tempos, mudam-se os postais. 

Monday, January 13, 2014

'Aventando' postais da II Guerra Mundial / 'Winding' postcards from the 2nd World War

Um dos autores do blogue Aventar conta que há uns anos descobriu na casa dos avós uma coleção de suportes de propaganda da II Guerra Mundial, nomeadamente postais. Na dificuldade de encontrar um arquivo oficial rigoroso destes materiais (nem a Biblioteca Nacional tem um registo fidedigno de tudo o que se editou em suporte postal, apesar do pressuposto do Depósito Legal Obrigatório), as coleções pessoais e particulares constituem uma riqueza extraordinária. Mário Reis promete ir 'postando' algumas digitalizações do acervo da família.
Fonte / Source: Aventar

At Aventar  we are told that one of this blog's authors found a collection of propaganda from the 2nd World War at his grandparents' house a few years ago. Taking into account how difficult it is to find a rigorous official archive of these materials (not even the National Library has a reliable register of everything what was edited in the form of postcard, though the principle of the Obligatory Legal Deposit), personal and private collections constitute an extraordinary richness. Mário Reis promises to post some scannings of his family heritage.

Thursday, January 2, 2014

Objetos intrigantes, uma crónica de Jorge Palinhos

Nas vésperas de 2014, Jorge Palinhos, cronista do Público, escreve um breve apontamento dedicado aos postais ilustrados, em que não só reflete sobre estes objetos visuais que o fascinam pela mistura de palavras pessoais com imagens reproduzidas, como aí faz referência ao nosso projeto de investigação.