Wednesday, February 20, 2008

O postal e o imaginário surrealista


(La Carte surréaliste, Première série, Vingt et une cartes, 1937, esq. nº1. Ampoule Contenant 50 c.c. d'air de Paris/Ampoule containing 50 c.c. air of Paris, Marcel Duchamp, dir. nº2. Poéme-Objet/Poem-object, André Breton in ALMEIDA, Bernardo Pinto de, 2007. Força de imagem, Porto: Campo das Letras, p.14/25)

Se o postal ilustrado tem uma velha e perene ligação com as artes plásticas, não será surpreendente que um movimento artístico como o surrealismo não se tenha esquecido do postal, meio de comunicação em idade de ouro na época e com preponderante importância no imaginário colectivo. La carte surréaliste é um conjunto de 21 postais editados em 1937 (um ano antes da Exposição Internacional de Surrealismo em Paris) por Georges Hugnet, membro do grupo surrealista, historiador do movimento dada, escritor, artista gráfico e cineasta francês. Nesta colecção de postais, cujo primeiro número é precisamente o postal com a fotografia do célebre ready made de Duchamp (acima apresentado), encontram-se reproduzidos trabalhos de artistas como André Breton, Max Ernst, Man Ray, Magritte, Dali, Miro, Dora Maar, e, claro, o próprio Georges Hugnet... Com papel rosa e uma capa azul onde figura o título da série, a rara colecção de postais integra actualmente o espólio do Museu Colecção Berardo, em Lisboa.

Thursday, February 14, 2008

Um freecard hoje: consumo, comunicação, estética...




Ainda se pode ver e retirar de alguns escaparates publicitários do país, que ocupam frequentemente a entrada de cafés, bares, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais semelhantes. Simultaneamente publicitário e comemorativo, este criativo postal gratuito editado pela Publicards é alusivo ao dia de hoje, 14 de Fevereiro de 2008, Dia de S. Valentim, ao mesmo tempo que publicita os Cappuccinos da Nescafé.
Fenómeno publicitário global, os freecards juntam-se aos outdoors, flyers, muppies e a toda a parafernália publicitária na ruidosa ocupação do nosso quotidiano. Com uma face e um verso que procuram o aspecto cool próprio à contemporaneidade, estes postais gratuitos, aparentemente marginais, constituem um importante meio de comunicação, cruzando eficazmente o consumo com a comunicação, o sentido estético e as relações interpessoais.

Wednesday, February 6, 2008

Xadrez postal

Postal para xadrez por correspondência in Wikipedia

Visto como precursor das formas de comunicar ditas 'pós-modernas', o postal ilustrado, servindo de suporte ao xadrez por correspondência, foi das primeiras formas a vulgarizar a ideia de partilha de um jogo entre pessoas conhecidas ou desconhecidas, geograficamente distantes entre si.

Largamente trocado entre xadrezistas de todo o mundo ao longo do séc.XX e ainda hoje regulado por comunidades como a International Correspondence Chess Federation, o postal para xadrez foi nos anos 80 ultrapassado pelo email e a partir dos anos 90 tornou-se definitivamente obsoleto face aos servidores online (como o actual Free Internet Chess Service), que permitem aos jogadores uma partida em tempo real.

Monday, February 4, 2008

Postal-puzzle: uma paisagem em dois postais

Legenda: "Capela da S.ª da Saúde e rios Câvado e Gerês"; Editor: Ediçaõ da Junta de Turismo; in RIBEIRO & FERNANDES (1983). A descrição bibliográfica do postal ilustrado. (...) Braga: Centro de Ciências e Engenharia de Sistemas da Universidade do Minho

O manuseamento do postal, os jogos de puzzle que os mesmos permitem, as múltiplas conjugações que a imaginação do coleccionador encontra, viabilizam caminhos e soluções expositivas que começam por ser um gozo íntimo para se tornar a solução.
ABEL, Marília & CONSIGLIERI, Carlos (2003). O Rossio em Postal Antigo. Lisboa: Livros Horizonte (citado por Ana Bonifácio, a 26 de Janeiro de 2008)

Friday, February 1, 2008

Postcrossing: a volta ao mundo em bilhete-postal


«Tornar a caixa de correio uma caixa de surpresas»: é um dos primeiros intuitos do Postcrossing, um projecto internacional de troca de postais, criado em 2005, que conta hoje com perto de 40 mil membros de mais de uma centena e meia de diferentes países. O projecto, cujo autor é um jovem estudante português (Paulo Magalhães), actualmente residente em Xangai, permite aos membros receber postais de todas as partes do mundo: ao enviar um postal, de onde quer que esteja, o utilizador recebe também pelo menos um postal de um outro postcrosser, algures no globo.

Para participar, em primeiro lugar, o utilizador deve registar-se como membro: o seu perfil ficará assim disponível online, com dados pessoais e um mapa que o localiza geograficamente no globo. Depois a troca é normalmente aleatória: solicita-se ao sistema um endereço, envia-se um postal para esse endereço, regista-se o postal enviado no sistema Postcrossing e, a partir daqui, espera-se por um postal vindo do outro canto do mundo na caixa de correio (após registar o postal enviado, o nosso endereço será o próximo a ser fornecido pelo sistema a quem solicitar um).

Alguns dos postais recebidos (ao todo já foram recebidos perto de 900 mil postais) têm sido digitalizados e disponibilizados online pelos membros da comunidade Postcrossing.

Thursday, January 31, 2008

Como apresentar a referência bibliográfica de um postal?

Braga: passeio público [Documento icónico] : Vista Geral. Braga: Manoel Carneiro & Irmão, 1910. 1 postal: color; 15x10 cm.


Se, como defendem muitos autores, a literatura dedicada aos postais ilustrados é bastante reduzida, ainda mais raras são as vezes em que esta parca literatura cita o postal ilustrado entre as suas fontes bibliográficas. Trata-se de uma ausência compreensível e que é na maioria das vezes compensada por uma descrição técnica do postal. A questão é que se torna mais difícil saber como é que, afinal, se indica um postal ilustrado numa lista bibliográfica.
Após uma pesquisa, constata-se que, como é frequente no que toca a normas bibliográficas, as soluções podem ser inúmeras e diferentes entre si. Entre a norma seguida nas referências bibliográficas da Base Nacional de Dados Bibliográficos (PORBASE), a sugerida por RIBEIRO & FERNANDES (1983) n' A descrição bibliográfica do postal ilustrado e, por fim, a afixada pela Norma Portuguesa relativa aos «materiais não livro» (NP 405-2 1998), editada pelo Instituto Português da Qualidade, optámos, por, do modo mais simples e claro possível, deixar aqui apenas a última, que poderá à partida oferecer mais consenso.
Foi através dela que identificamos o exemplar de Manoel Carneiro & Irmão acima reproduzido. De acordo com a Norma Portuguesa, a ordem dos elementos da referência bibliográfica de um postal ilustrado é a seguinte: em primeiro lugar, figura o título (corresponde aproximadamente à legenda do postal; como na referência acima exposta: "Braga: passeio público"), seguidamente a designação genérica do material ("documento icónico", no caso do postal), em terceiro lugar, o complemento do título (como no exemplo: ":Vista Geral"), em quarto, os dados relativos à publicação (local de edição, editor, data de edição), e finalmente, devem ser apontados todos os itens relevantes para a descrição física do objecto em causa (à semelhança do exemplo: "1 postal:il. color.;15x10cm.").

Monday, January 28, 2008

Um blogue sobre... 'deltiology'

Porque este blogue também pretende ser um espaço de partilha de referências, aí fica o link para este um outro blogue sobre postais (http://aboutcards.blogspot.com).

Dizem os autores que operam no negócio de postais antigos e coleccionáveis. Dizem ainda ter uma paixão pelos postais antigos, pelo que promovem este site como um recurso para todos os curiosos sobre "Deltiology", uma palavra para que não conheço equivalente em português, mas que quer dizer "coleccionismo de postais ilustrados".