Thursday, January 22, 2009

Postais: arte que corre o mundo

Ainda no roteiro das exposições a que o postal ilustrado deu o mote, cruzamos uma, em particular, que pede mesmo visita - pelo interesse da temática, pela conveniência da localização e... porque está quase quase a terminar: Post Me! Arte pelo Correio, em exibição na Biblioteca de Serralves, encerra já no Domingo. O título é auto-explicativo: relevar o papel do correio na “difusão de obras de arte” e na “criação uma rede que permitiu a muitos artistas o contacto e a divulgação além-fronteiras”. E neste capítulo, facilmente se adivinha o postal como protagonista...

Sunday, January 18, 2009

Do postal que 'imagina' ao postal que 'postaliza'


Postal do Porto, reproduzido no blogue Postais de Antigamente
Postal do Porto, com origem numa troca da comunidade Postcrossing, publicado numa página pessoal do Flickr

Aujourd'hui, je suis triste parce que la carte postale comme le cinéma s'éloigne, je vais récemment à Lyon et à peine arrivé à Perrache je cherche une carte postale à envoyer. Mais sur toutes il y a d'énormes 'LYON' d'inscrit, des recadrages hidieux, des trucs de création qui sont le "chic et cheap" d'aujourd'hui, et je réalise que ma carte postale, celle que j'aime, la vue aérienne, la cathédrale ou la place de marché sans rien dessus, n'existe plus. Ce qui n'existe plus c'est le prélèvement imaginaire d'un bout de paysage qui devient une image, image qui se désquame, qui vient vers moi, tombe à mes pieds sur les présentoirs de papeterie et de bureau de tabac. Il ne faut pas qu'on ait écrit sur cette image, qu'on l'ait signée, paraphée, estampillée, il faut qu'elle soit une feuille morte des arbres du paysage anonyme. C'est pourtant ce qui se passe. De même qu'il y a un cinéma "filmé" sursigné, sursignifié, il y a une carte postale postalisée. Serge Daney, 1994, Persévérance  citado em BIRNBAUM, Antonia, 1997, Transmissions d'images; éloge de la carte postale, in École des Arts Décoratifs de Strasbourg, 1997, Tradition, transmission, enseignement. Une relecture de la modernité par Walter Benjamin. Strasbourg: École des Arts Décoratifs

Thursday, January 15, 2009

Walker Evans and the Picture Postcard em exibição no Metropolitan Museum of Art

"The very essence of American daily city and town life got itself recorded quite inadvertently on the penny picture postcards of the early 20th century.…Those honest direct little pictures have a quality today that is more than mere social history.…The picture postcard is folk document."

Foi nestes termos que o fotógrafo norte-americano Walker Evans se referiu ao valor histórico-documental dos postais ilustrados, cuja colecção pessoal estará em exibição no Metropolitan Museum of Art de 3 de Fevereiro a 25 de Maio, na Howard Gilman Gallery.

Segundo anuncia o museu em comunicado de imprensa, Walker Evans and the Picture Postcard é uma instalação dinâmica arquitectada a partir dos mais de nove mil exemplares que constituem o espólio do decano da fotografia documental norte-americana. A exposição foi desenhada de modo a espelhar o ecletismo e organização conceptual da colecção original, que abrange categorias tão diversas como "Arquitectura Americana", "Fábricas", "Automóveis", "Cenas de Rua", "Hóteis", "Faróis", "Loucura" ou "Curiosidades". Entre postais adquiridos, oferecidos, enviados e recebidos, encontram-se também postais que a sua própria objectiva ilustrou.

Embora o espólio de Walker Evans seja propriedade do Metropolitan Museum desde 1994, esta é a primeira exibição que este espaço acolhe centrada especificamente no arquivo do fotógrafo.

Tuesday, January 6, 2009

Musée de la Carte Postale: lugar de consagração do 'rei da permanência no reino do efémero'

Há quem pense os museus como depósitos de objectos mortos, arrancados ao passado e, por conseguinte, desactualizados e sem qualquer utilidade que não o prazer da rememoração. O mesmo para os postais ilustrados: há quem os pense como um objecto anacrónico, cuja validade enquanto meio de comunicação (porque era essa a sua vocação original) expirou com o advento de novas, sucessivas e cada vez mais sofisticadas tecnologias da comunicação.

Em Antibes, França, existe um espaço que deita por terra, de uma só assentada, os dois mitos. A funcionar desde o início do milénio, Le Musée de la Carte Postale é, por certo, um local de visita obrigatória para os amantes da deltiologia. Através da exposição permanente e de quatro exposições temáticas anuais, este museu mostra as muitas faces deste objecto que, embora centenário, conserva actualidade. Mas deixemos as apresentações por sua conta. Assim se lê no separador Historique du Musée, no website:

«Avec son charme suranné, avec ses prises de position inconditionnelles, avec sa volonté de convaincre, d’informer, de rassurer, la carte postale c’est, depuis plus de cent ans, la “Souveraine de la permanence au royaume de l’éphémère”. C’est cet univers que vous propose d’ explorer le Musée de la Carte Postale, basé sur le prêt d’une collection privée et animé par une équipe de bénévoles passionnés.
Vous y découvrirez :
En première partie : L’histoire de la carte postale de 1869 à nos jours racontée par elle-même. En France, dans le monde entier, sa fabrication, son commerce et son influence dans la vie quotidienne.
En deuxième partie : Un siècle de vie humaine. Les 95 départements Français métropolitains, la série Paris Vécu complète, le travail du bois, la musique, les moyens de locomotion, la publicité, les illustrateurs de charme et les illustrateurs Internationaux, les précurseurs du Surréalisme, les cartes dites "en forme", etc.
Une très belle présentation de cartes à tirettes et à système mises en action à chaque visite guidée. Des cartes transparentes, à illusion d’optique, en bois, en métal, en celluloïd, en cuir, sur soie, en porcelaine.
En troisième partie : Une exposition temporaire constituée d’au moins une centaine de cartes renouvelée tous les trimestres».

Até Março, estará em exibição Cartes de Rêves (uma 'colecção de sonho', poder-se-ia dizer). Deste acervo fazem parte postais do início do século XX cujas ilustrações são motivadas pela abordagem pioneira de Sigmund Freud aos mecanismos do inconsciente na obra “A interpretação de sonhos”.



E já agora que estamos de bagagens, agendemos paragem também no Musée de la Poste, em Paris. Pena que já não vamos a tempo da exposição Les Dessous de la Carte Postale. Patente entre Outubro de 2006 e Março de 2007, a exposição traçava o percurso evolutivo do postal, em termos de forma, conteúdo e utilização, desde o seu aparecimento no séxulo XIX até aos nossos dias. Felizmente, os museus, assim como os postais, souberam acompanhar o ritmo do tempo e, por isso, vamos sempre a tempo de uma visita virtual.

Wednesday, December 24, 2008

Os postais também cantam

Em tempos de recortes, colagens e reciclagem criativa, não surpreende que os vídeos musicais se inspirem nos postais ilustrados. É o caso deste videoclip russo (Oleg Chubykin, The Tourist, 2007) feito com postais ilustrados antigos da cidade de Vladivostok (clicar na imagem).

A Merry Christmas and a Happy New Year to you

"O Primeiro Postal De Natal" ?
"O primeiro postal de Natal surgiu na Inglaterra, pelas mãos do pintor John Callcott Horsley (1817-1903), em Dezembro de 1843, a pedido de Sir Henry Cole (1808-1882), director do South Kensington Museum."
E é assim, a propósito da quadra que nos cai este exemplar respigado dos "motores de busca". Será deveras o primeiro?! Ou é mais uma expressão daquela velha querela pela primazia das coisas, animada pelas burguesias nacionais das potências europeias da era industrial?!
Não interessa!
O que importa é que os Votos de um Feliz Natal e de um Bom Ano Novo, um dos desejos mais generosos que ecoa hoje por todo o planeta, serviu a razão de ser ao postal ilustrado logo nas suas origens, quiçá mesmo ao motivo do primeiro exemplar.
Um Feliz Natal e um Bom Ano Novo de 2009 a todos vós bloguesferianos que se interessam por postais ilustrados...

Thursday, December 11, 2008

Um postal turístico que não fala a língua universal dos postais turísticos

Fig. 1. Postal turístico de Zurique na origem da polémica noticiada pela imprensa internacional no início do mês de Dezembro



Fig. 2. Postal turístico tradicional da cidade de Zurique publicado numa página do Flickr (aqui)

"La carte postale touristique est une image policée qui ne semble tolérer aucun débordement. Ceci nous fait dire que le type d'images rencontré sur un tel support est toujours 'neutre' ou 'positif': la photographie de carte postale est une image 'lisse'.Nicolas Hossard, 2005: 40 (Recto Verso Les faces cachées de la carte postale. Paris: Arcadia Editions)
De facto, as imagens dos postais turísticos são habitualmente uma espécie de personagens planas na história da imagem e da publicidade... Conformes às expectativas e aos estereótipos, elas costumam corresponder à linguagem universal das belas paisagens e dos cenários aprazíveis, impecavelmente fotografados.  No entanto, há excepções e a provocação e a polémica tão frequentemente lançadas pela linguagem publicitária começeçaram ocasionalmente a contaminar os cartões-souvenir.  Um postal turístico de Zurique recentemente posto à venda nos quiosques da cidade (fig.1),  e cujo autor é o designer Tristan Hauser, é um desses casos. Representando a cidade através do nome da mesma escrito com cocaína, o designer, que já admitiu a falta de um 'aparelho' crítico na imagem de que é autor, chocou os cidadãos de Zurique, que enviaram inúmeros protestos ao jornal diário Tages-Anzeiger , responsável pelo concurso de postais, do qual Hauser foi um dos vencedores. A imprensa internacional acompanhou o debate em torno deste postal que segundo Frank Bumann, director do Turismo de Zurique e membro do júri do concurso, é apenas "uma alusão divertida" que faz referência a um aspecto da cidade que "é impossível ignorar".