Sunday, June 7, 2009

Saudações de..., Greetings from...

Prático meio de comunicação e objecto fétiche das viagens, o postal é contemporâneo desse “desejo (...) de tornar as coisas espacial e humanamente mais próximas” (Walter Benjamin). Não é por acaso que os postais surgiram numa época de acelerado desenvolvimento dos meios de comunicação e dos transportes. Os postais viajam entre remetente e destinatário, eles existem em quase todo o mundo e participam numa circulação global de imagens de diversos países, cidades, aldeias... Os postais são globais e locais, eles reproduzem imagens fixas de um determinado lugar e percorrem o mundo num trajecto dinâmico.

A imagem do postal, que viaja e reproduz frequentemente as cidades de onde parte, não precisa de tradução. O mesmo não se passa com o nosso blogue; para atravessar as fronteiras da língua portuguesa, ‘Postais Ilustrados’ passa a partir de hoje a oferecer uma versão inglesa dos seus conteúdos.

The postcard, which is a practical medium of communication and a traveling fetish object, is contemporary of “the desire (...) to bring things “closer” spatially and humanly” (Walter Benjamin). It’s no accident that postcards had appeared in an epoch, which can be characterized by the fast development of media and of transport. The postcards travel between the sender and the receiver, they are present almost all over the world, and they participate in a global circulation of images of various countries, cities, and villages... The postcards are local and global; they reproduce permanent and stable pictures from a specific place and they take a dynamic journey, going all over the world.

The picture postcard, which travels and frequently reproduces the cities of departure, doesn’t need any translation. The same doesn’t happen in our blog; in order to cross the Portuguese language borders, ‘Postais Ilustrados’ will offer, from now on, an English version of its contents.

 

Monday, June 1, 2009

Exposição de Cartofilia

O Salão Nobre da Associação Recreativa «Os Mariantes do Rio Douro» acolhe, de 8 a 14 de Junho, uma exposição de Cartofilia, organizada pelo Clube de Coleccionadores de Gaia. A iniciativa inscreve-se no âmbito do Convívio Anual da Pró-Associação Portuguesa de Cartofilia. Para além da exposição, os promotores estão a organizar a possibilidade de permutas de postais entre coleccionadores.

Mais informações podem ser solicitadas para este endereço: clubecoleccionadores.gaia@gmail.com

Friday, May 22, 2009

The Picture Postcard Show '09


A edição de ’09 da feira internacional The Picture Postcard Show decorre entre os dias 3 e 5 de Setembro, no Royal Horticultural Halls, em Londres. 'The Great British Seaside' dá o mote a este encontro, que, conforme se anuncia, estará este ano especialmente vocacionado para temática marítima.


Informação mais detalhada sobre este evento pode ser consultada aqui. A edição transacta pode ser revisitada aqui.

Monday, May 18, 2009

O postal à mesa de mistura

Recto do postal de arte nº 13 da série 41 as Awami criada por Max Guedj e editada pela Galerie L'Oeil du Huit em 2002 (adquirido em Paris, em Janeiro de 2009) 
Connect... Draw... Remix, Matthew Falla, 2007

São duas criações aparentemente distantes mas que dizem sobre os postais algo semelhante... Contemporâneo das pioneiras fotografias, que deram a ver a primeira imagem do encontro entre o homem e a máquina (Walter Benjamin), o postal é uma outra figura desse encontro: carta pré-feita, o postal começa com a mistura das nossas velhas palavras manuscritas a uma produção maciça e impressa. Ora, os postais de arte inventados pelo francês Max Guedj põem precisamente em cena um teatro tipográfico no recto do postal, que desenha formas e completa mensagens, a partir do cruzamento da tipografia com o manuscrito. Já o designer londrino Matthew Falla, cuja obra se centra na combinação de suportes tradicionais (posters, souvenirs, postais) com as possibilidades interactivas da tecnologia e do multimedia, complica o jogo.   Connect... Draw...Remix é uma série de cartões pintados pelos seus utilizadores e  lidos por um leitor com cabo USB; no mesmo movimento em que vão traçando riscos com um lápis no postal, os utilizadores vão misturando música (um vídeo exibindo o processo está disponível no site oficial de M. Falla). Os postais de Guedj são tradicionais e podem ser enviados com as mensagens curtas e redundantes que sempre inscrevemos no verso dos cartões; os postais de Mathew Falla, referidos como postais pelo designer, e incluídos na obra Cartes Postales de FL@33, já quase não nos parecem postais... Mas ambos, enviados ou não, nos lembram que o postal, combinando uma reprodução em massa com uma mensagem manuscrita e singular, pressupõe na sua própria natureza um princípio de apropriação, de citação, de montagem, de mistura e de hibridação.

Thursday, May 7, 2009

O postal e a paisagem, algumas palavras a partir do texto de Marie-Pierre Zufferey

Capa do livro Le paysage envisagé/Art et cartes postales de Robert Ireland e Marie-Pierre Zufferey recentemente editado pela Infolio , na coleccção Archigraphy Paysages

"Un bonjour d'Afrique où je suis en train de faire un safari photographique. C'est une expèrience unique... Je fais des centaines de photos..." Este verso de postal que Zufferey (2009) transcreve na sua breve divagação sobre cerca de meia centena de paisagens de postais que lhe foram  enviadas ao longo dos anos lembra-nos o postal de 'vistas' contemporâneo, o postal de paisagem na era da revolucionária da fotografia digital. De facto, porque é que ainda se escreve nessa moldura móvel que é o postal quando se pode 'agarrar' a paisagem mais de cem vezes com uma minúscula objectiva fotográfica e enviá-la quase em simultâneo a partir do PC portátil ou do discreto telemóvel? Zufferey (2009) não convoca esta problemática no seu texto publicado muito recentemente pelas Éditions Infolio (Suiça) mas liga o postal a esse "tempo imóvel" dos "pôres do sol" e do "céu azul das férias", em que pouco ou nada muda senão "o nosso ponto de vista, o nosso estado de alma". 
Se a ideia de paisagem é ela própria uma ideia bem datada na história das imagens (que chegaria com o romantismo alemão, por volta do séc. XVIII), o postal nas suas infinitas variações não parou de a reproduzir e de a atravessar desde o séc. XIX. Imagem pobre e eficaz instrumento das indústrias de turismo, o postal também esquadrinha a paisagem em cantinhos de beleza universal e "jardins de atmosfera protegida". Insistem os especialistas que o primeiro postal ilustrado com paisagens foi comercializado em 1891 por Dominique Piazza, com as vistas da cidade francesa de Marseille. Miniatura de paisagem, o postal foi herdeiro dessas modestas pinturas de vedute que os turistas do séc. XVIII traziam consigo de Itália como souvenir da sua viagem. Hoje, entre GPS's e Google Earth's, o postal paisagístico continua a ser visto, escrito, lido, trocado e permanentemente reinventado: ora a preto e branco e a sépia, ora cheio de slogans e fogos de artíficio, ora com a simplicidade de um recorte de paisagem a cores, ora misturando o preto e branco e as cores, ora juntando vistas múltiplas... Como podemos ler na introdução ao livro pela editora, o postal é neste ligeiro texto de Zufferey um pretexto para abordar a paisagem na sua relação com o imaginário popular.

Friday, April 10, 2009

Vice-versa

Postcard Back Compositions, Daniel Eatock, Reino Unido, 2006
in Postcard, de Agathe Jacquillat e Tomi Vollauschek, 

Saturday, March 21, 2009

Do Brasil para as Américas: [mais um]a história em postais

Chega-nos do lado de lá do Atlântico mais uma evidência do valor documental do postal ilustrado. 'Do Brasil Para as Américas', da autoria de João Emílio Gerodetti e Carlos Cornejo, é uma espécie de catálogo histórico: são quase 700 postais, distribuídos por 240 páginas, a reconstituir as paisagens e a narrar a vida dos povos que viveram nas Américas entre 1880 e 1940.

Mas deste livro não se pode dizer ser uma obra sem precedentes. Ao todo, são sete os projectos assinados por esta dupla, um coleccionador de postais brasileiro e um jornalista e investigador chileno. 'Lembranças de São Paulo – O interior Paulista nos cartões-postais e álbuns de lembranças' foi o primeiro título desta série com o carimbo da Solaris Edições Culturais. Algumas partes deste trabalho inaugural podem ser visualizadas aqui.