Sunday, November 22, 2009

Postais ao serviço de causas / Postcards serve causes


28 cents é um projecto curioso que prova bem a longevidade do postal ilustrado. Trata-se da colecção limitada de postais ilustrados por 24 ilustradores, artistas e contemporâneos. O objectivo do projecto, lê-se no site (http://28cents.org/index.html), é criar arte socialmente e ambientalmente consciente.

Esta colecção, cujas imagens estão também disponíveis no site do projecto, está à venda por 20 dólares americanos (menos de 14 Euros), podendo ser adquirida online. Os lucros, explica a organização promotora do projecto, revertem a favor da Art Start, uma organização que promove programas de arte gratuitos para os jovens em risco de Nova Iorque.



28 cents is a curious project that clearly proves the longevity of the postcard. This is the limited collection of postcards by 24 illustrators, artists and contemporary. The aim of the project, that can be read in the site (http://28cents.org/index.html), is to create socially and environmentally conscious art.

This collection, whose images are also available at the project website, is on sale for $ 20 (less than 14 Euros) and can be purchased online. Profits, explains the organization sponsoring the project, benefit Art Start, an organization that promotes free art programs for youths at risk in New York.

Tuesday, November 10, 2009

RCA Secret 2009

Na próxima sexta-feira,  abre a 16ª edição da exposição de postais "secretos" anualmente realizada pelo Royal College of Art, em Londres (mencionada aqui e aqui). A partir desta data, estarão também disponíveis no site dedicado ao encontro, os  mais de 2 mil postais, este ano realizados por artistas como Bill Viola, Gerhard Richter ou John Baldessari, mas com o preço habitual:  £40. Da mesma forma que no popular postal há uma mensagem pública e uma outra privada, também nos postais deste encontro de arte "low cost" há uma face conhecida do público e uma assinatura que é, pelo menos temporariamente, desconhecida e secreta. (Mais informações)

Next Friday, the 16th edition of "secret" postcards exhibition annually organized by the Royal College of Art, in London (mentioned here and here), will open up.  The 2 thousand postcards, also available for viewing on the website from the 13th November, include this year works by artists such as Bill Viola, Gerhard Richter or John Baldessari but they keep the same price: £40. In popular postcards, there's a public message and a private one; similarly, in the postcards exposed and sold in this meeting of 'low cost'  art, there's an image publicly known and a signature that is, at least temporarily, unknown and secret. (More Information)

Monday, November 2, 2009

Dos postais às artes plásticas, ao design gráfico, à BD.../From Postcards to Arts, Comics, Graphic design...

Esq.: Postal editado/ilustrado por FlyingFish (Inglewood, California, EUA); Dir.: Postal editado pelo Centro Georges Pompidou, reproduzindo "The melody haunts my reverie" de Roy Lichtenstein / Left: Postcard published/illustrated by Flying Fish (Inglewood, California, EUA); Right: Postcard published by Centre Georges Pompidou, reproducing "The melody haunts my reverie" by Roy Lichtenstein

 A arte imita a cultura popular e a cultura popular imita a arte.  Se as obras de Roy Lichtenstein refazem os traços da "literatura em estampas" (foi assim que Rodolphe Töpffer, considerado criador da BD, definiu as histórias aos quadradinhos)  é agora a "correspondência em estampas" que recria as suas obras. Quase se poderia jogar ao "descubra as diferenças" entre a série de ilustrações do designer gráfico dos postais "à la Lichtenstein" (das quais o postal à esquerda é exemplar) e as criações do célebre autor da popart. Os postais aqui reproduzidos foram ambos adquiridos na Livraria Flammarion do Centre Georges Pompidou (Paris, França) e enquanto que o primeiro é uma criação para postal ilustrado, o outro usa simplesmente o postal como suporte de reprodução de uma obra de arte do pintor nova-iorquino. Deambulando "pelas convulsões da experiência moderna" (Moisés de Lemos Martins), as artes plásticas do século passado e do século XXI trazem para as suas telas as imagens da cultura de massas, ao recriar as práticas do design, da publicidade ou, no caso de Lichtenstein, da banda desenhada. Por outro lado, as intervenções do design e da publicidade contemporâneas apropriam-se das imagens desta arte informal e descomplexada, transformam-nas, inspiram-se nelas. Os postais, objectos da cultura de massas que participam do imaginário popular e suportes de reprodução e divulgação de obras de arte contemporâneas, são exemplares deste vaivém, restituindo uma história de imagens, onde as distinções entre artes plásticas e artes menores se tornaram tão difíceis ao nível visual e estético quanto vãs do ponto de vista epistemológico.

Arts imitate popular culture and popular culture imitates arts. Roy Lichtenstein's artworks remade the traces of the "engraved literature" (that's how Rodolphe Töpffer, who is considered to be the creator of comic strip, defined the art of comics); nowadays, the "engraved correspondence" is recreating his artworks. We could almost play the “ Find the differences” between the series of illustrations by the graphic designer of postcards “à la Lichtenstein” (the postcard on the left is a good example) and the creations of the famous popart author. The postcards here reproduced were both bought in the Flammarion Bookshop in Centre Georges Pompidou (Paris, France); whereas the first one is a creation for picture postcards, the other one uses postcards as a simple reproduction device for artworks by the New-Yorker painter.  Wandering around the “convulsions of the modern experience” (Moisés de Lemos Martins), the fine arts of XXth and XXIth centuries bring the mass culture images to their canvas, recreating design advertising and comics practices.  On the other hand, the contemporaneous advertising and design interventions appropriate pictures from these informal and relaxed artworks, they transform them and they use them as source of inspiration. Postcards, which are mass culture objects participating in the popular ‘imaginarium’ as well as reproduction and divulgation tools for contemporaneous artworks, expose this coming and going: they restitute an history of images, where the distinctions between fine arts and minor arts have become as difficult (visually and aesthetically speaking) as empty from the epistemological point of view. 

Projecto na Notícias Magazine / Project in Notícias Magazine

O Projecto POSTAIS ILUSTRADOS que está na origem deste weblogue é o objecto de um artigo publicado ontem na revista NOTÍCIAS MAGAZINE (distribuída ao domingo com o JN e o DN). O texto, que é um retrato em síntese dos propósitos do projecto, intitula-se 'Bilhetes-postais: pedaços de vida' e começa assim:



«Tropeçamos neles frequentemente. Nos quiosques, nas livrarias, nos museus, em eventos vários cruzamo-nos com os pequenos rectângulos de cartão compostos por um verso, uma imagem, e um reverso, um espaço destinado à mensagem e ao endereço. Causam fascínio, mas reflectimos pouco sobre eles. Os postais ilustrados constituem, no entanto, uma janela para o mundo e também um espelho dos universos mais privados...»




The Project ILLUSTRATED POSTCARDS, that is at the origin of this weblog, is the subject of an article published yesterday in the magazine NOTÍCIAS MAGAZINE (distributed on Sunday with the JN and DN). The text, which is a picture summary of the proposal on the project, is entitled 'Postcards: bits of life' and begins as follow:

"We stumble on them often. In kiosks, in bookstores, in museums, in events we come across the small rectangles of card consisting of a verse, a picture, and a reverse, a space for the message and the address. They cause fascination, but we don't reflect much on them. The postcards are, however, a window to the world and also a mirror to the most private universes..."

Sunday, November 1, 2009

Análise FOFA do postal ilustrado


... por uma estratégia para o postal ilustrado

O planeamento estratégico para lá da sua etimologia ou conceito é um instrumento generalizado, praticamente empregue em todos os domínios da nossa contemporaneidade. Não há hoje emporesa ou cidade, política ou equipa desportiva, estado-maior, conselho de administração, governo, ou até mesmo família ou indivíduo, que prescindam de o ensaiar, ou pelo menos de admitir, o seu planeamento estratégico.
Entre os diferentes passos que a metodologia impõe para delinear as "tendências" e antever as "mudanças" temos sempre no começo o "diagnóstico", como o princípio de caracterização de toda a "situação actual".
O nosso desafio é pois simples, como se de um jogo se tratasse. Independentemente de podermos ou não querer traçar um plano estratégico para o postal ilustrado - esse artefacto da modernidade que persiste em ter futuro - merece ser sujeito ao crivo do presente diagnóstico.
Usaremos o não menos familiar diagrama SWOT - Strengths (FORÇAS); Weaknesses (FRAQUEZAS); opportunities (OPORTUNIDADES); e Threats (AMEAÇAS) - acrónimo da designação lusófona que reconhecemos este verão, em Moçambique, pela mais doce e imediata sigla FOFA. Na verdade, melhor do que qualquer explicação sobre a utilidade do exercício basta-nos saber que há uns significativos séculos antes de Jesus Cristo o conselho militar de Sun Tzu, sintetizava o problema do sucesso de uma demanda do seguinte modo: "concentremo-nos nos pontos fortes, reconheçamos as fraquezas, agarremo-nos às oportunidades e protejamo-nos contra as ameaças". É esse o ensaio que vos propomos fazer ao futuro do postal ilustrado. Naturalmente aceitam-se e pedem-se contributos.

Thursday, October 29, 2009

Cortiça em vez de papel / Bark instead of paper


É a segunda vez que encontramos um postal neste suporte. Sendo Portugal responsável por 50% da produção mundial de cortiça, talvez não seja de estranhar que por cá se tenham experimentado modelos de postais neste material.

It is the second time we find a postcard in this support. Being Portugal responsible for 50% of the world production of bark, it is perhaps not strange that here some models of postcards were tested using this material.

Friday, October 16, 2009

O verso do postal: arte, decoração, publicidade, design - Postcard's verso: arts, decoration, advertising, design

 (left to right) I got up, 1970, by On Kawara (mailart work); 'Verso' of a Lima's postcard (Peru) with stains of glue; ' Verso' of a 'freecard' advertising the opera La ville morte by Erich Wolfgang Korngold in Opera Bastille in Paris (France), October 2009; 'Recto' of a postcard published by Publicards reproducing  an empty postcard back, 2001;

A fórmula é arriscada mas quase poderíamos usá-la: o postal está morto, viva o postal! Diferentes autores (Ripert & Frere, 1983; Malaurie, 2003; Hossard, 2005) defendem que o postal atravessa hoje a sua segunda idade de ouro. No entanto, esta ideia de uma renovação do postal refere-se sobretudo à edição de postais, ao coleccionismo, ao interesse das avant-gardes por este meio de comunicação, assim como à sua utilização enquanto instrumento publicitário ao serviço das indústrias culturais, sob a forma do ‘freecard’. Quanto à sua função de objecto de correspondência e de meio de comunicação interpessoal, esta encontra-se actualmente largamente ‘empobrecida’ a favor da contemporânea panóplia de tecnologias comunicantes que vão do e-mail, às sms’s, aos chats...

O mosaico de postais aqui reproduzido mostra algumas das apropriações e recriações que o postal tem vindo a suscitar à medida que a sua dimensão de objecto de correspondência enfraquece. Numa obra de mailart  como I got up de On Kawara, obra em que o artista envia uma série de postais aos amigos registando a hora a que acordou todos os dias, há uma reutilização do postal (uma fotografia com um verso datado, assinado, carimbado, endereçado) no sentido de dar forma a questões que ocupam Kawara, como a relação da temporalidade com a imagem. O verso com marcas de cola, adquirido numa feira da ladra em Paris em Maio de 2009, é um exemplo de postal que foi utilizado como simples reprodução e objecto decorativo em detrimento do seu uso na correspondência. O postal editado pela Descartes Media publicitando a ópera La ville morte de Erich Wolfgang Korngold, é um entre os muitos freecards que já não reservam espaço para correspondência: a margem esquerda do postal, normalmente destinada à mensagem do remetente, é invadida pela sinopse da ópera e a sua ficha técnica. Finalmente, o postal que reproduz no seu recto o verso em branco de um postal é uma criação da Publicards: nele podemos notar até que ponto é que o verso do postal, cada vez menos utilizado, se tornou ele próprio, para os seus designers e para os seus consumidores, uma imagem, essa espécie de “forma pura” que George Simmel (La tragédie de la Culture) atribuía aos objectos que já tinham perdido a sua utilidade real mas que nos continuavam a suscitar prazer.

The formula is risky, but we could almost use it: The postcard is dead, long live the postcard! Different authors ((Ripert & Frere, 1983; Malaurie, 2003; Hossard, 2005) claim that nowadays we’ve been assisting to a postcard second golden age. Although, this idea of a postcard renewal concerns mainly postcards edition, collection, avantgardes new interest for this means of communication, as well as its use as an advertising tool serving cultural industries in the form of ‘freecards’. Regarding postcards as correspondence objects and interpersonal means of communication, these functions are nowadays impoverished in favour of the contemporaneous panoply of communicative technologies (e-mail, sms’s, chats…).

The postcards mosaic here reproduced shows some of the appropriations and recreations that postcards have been inspiring as far as their correspondence dimension has been weakening. In a a mailart work such as I got up by On Kawara, in which the Japonese artist has sent a series of postcards to his friends stating the time he had woke up each day, there is a re-use of the postcard  (a photography and a dated, sent, addressed and stamped verso …) in order to give shape to On kawara’s main questions, such as the relationship between temporality and image. The postcard’s back with glue marks, bought in a flee market in Paris in May 2009, is an example of a postcard which was used as a mere reproduction and as a decorative artefact rather than as a correspondence object. The postcard published by Descartes Media promoting the opera La ville morte by Erich Wolfgang Korngold, whose ‘verso’ is here presented, is one among many freecards that don’t keep a space to the correspondence any more: the left side normally dedicated to the sender’s message is invaded by the opera general information and synopsis. Finally, the postcard that reproduces in its front the empty back of a postcard is a creation of Publicards: in this postcard we can realise how postcards ‘verso’, less and less used, has become, for their designers and consumers, an image; we can notice how postcards ‘verso’ has become this kind of “pure form” that Georges Simmel (La tragédie de la culture) recognized in the objects that had already lost their real utility but that kept pleasing us.