Sunday, December 20, 2009
Dos postais de Natal às sms de Natal - From Christmas postcards to Christmas sms
Friday, December 4, 2009
A subversão dos postais - The subversion of postcards

A coleccção de postais de Paul Eluard, que é parte do espólio do Musée de La Poste, estará em exibição no Centre Pompidou, em Paris, até 11 de Janeiro de 2009, na exposição de fotografia surrealista La Subversion des Images. Os álbuns de postais de Paul Eluard que contam com cerca de 2400 postais, e que foram sendo compostos pelo poeta entre 1929 e 1930, são uma montagem de postais “fantaisie” onde abundam os ícones e símbolos populares que compunham esses “trésors de rien du tout” - é assim que Paul Eluard no nº 3-4 da revista Minotaure, em 1933, define os postais. A colecção, que está disposta em conjuntos de seis postais por página, associa postais a cores, a preto e branco, ilustrados e fotográficos, e é uma série de imagens de mulheres - estas são, pode-se dizer, os motivos-base ou o tom de fundo de todos os álbuns – mas também de flores, casais apaixonados, obras de arte, pássaros e outros animais, paisagens, monstros, carros... A organização não tem nenhum critério claro: parece antes obedecer a uma vontade de associação arbitrária de ideias, de relações “de parecença e diferença, de analogia e estranheza, de afinidades e tensões” (José Pierre, Paul Éluard: La carte postale comme matériau du poème visible). Nas palavras de M.B., num artigo publicado no nº14 do Bulletin du Cercle Français des collectionneurs de cartes postales em 1969, com a sua disposição destas miniaturas de imagem, o poeta surrealista transforma os estereotipados e tão vulgares postais numa "alucinação liliputiana do mundo". Da colecção, possível de visionar na exposição em formato digital, ressaltam sobretudo as cores, que variam entre o cinzento turvo das velhas fotografias a preto e branco e os tons excessivos e irreais de grande parte das imagens, algumas das quais eram pintadas à mão após a impressão. Os postais de Eluard, que dizem bastante sobre o poeta mas também sobre a criação visual nos postais da primeira metade do século XX, reconstituem a partir das imagens de "fantasia" um labiríntico mosaico de aparições, imagens, figuras irreais, como se os álbums fizessem das gastas e populares imagens as passagens de um sonho. Os postais, que segundo Salvador Dali eram para os surrealistas "uma base experimental para o estudo do pensamento inconsciente moderno e popular", são fragmentos visuais da nossa memória e foram por isso a vários títulos apropriados e subvertidos por um movimento artístico que contribuiu também ele de modo marcante, para desenhar o imaginário contemporâneo.
Paul Eluard's postcards collection, which is part of the Musée de La Poste permanent collection, is presented in the exhibition of surrealist photography La subversion des Images, in the Centre Pompidou, in Paris, until the 11th January 2009. The postcards albums of Paul Eluard that have 2400 postcards and that had been being composed by the poet between 1929 and 1930 are a montage of “fantaisie” postcards, where we see a lot of those popular icons and symbols that composed the “trésors de rien du tout” –this is the way in which Paul Eluard defines postcards in the no 3-4 of the Minotaure review in 1933. The collection, which is disposed in groups of 6 postcards per page, mixes colored postcards with black and white postcards, illustrated with photographic postcards; it is a series of images of women – women are, we could say, the basic motif and the background color of all the albums – but also of flowers, couples in love, artworks, birds and other animals, landscapes, monsters, cars… The organization doesn’t have a clear criterion: it seems to obey a desire for arbitrary association, for relations of “resemblance and dissemblance, of analogy and strangeness, of affinities and tensions” (José Pierre, Paul Éluard: La carte postale comme matériau du poème visible). In the words of M.B., in an article published in the no 14 of the Bulletin du Cercle Français des collectionneurs de cartes postales in 1969, with his disposition of this miniatures of image, the surrealist poet transforms the stereotyped and so vulgar postcards into a “Lilliputian hallucination of the world”. Regarding the collection, whose digital version can be consulted in the exhibition, the colors are particularly suggestive: they range from a muddy grey of the old black and white photos to the excessive and unreal tonalities of great part of the images – a part of them was hand colored after the printing. Eluard’s postcards, which ‘talk’ about the poet but also about the visual creation in the postcards of the first half of the XXth century, reconstitute a labyrinthine mosaic, of apparitions, images, unreal figures, as if the albums turned the popular and old images into the moments of a dream. The postcards, which constituted for surrealists according to Salvador Dali “an experimental basis for the study of the modern and popular unconscious thinking”, are visual fragments of our memory, and they were because of that appropriated and subverted in many ways by an artistic movement that has also contributed in a decisive way for the contemporaneous ‘imaginarium’.
Memória(s) do Mundo

Les activités en communication et information - UNESCO
Mémoire du monde
Le programme de l'UNESCO visant la conservation et la diffusion des collections d'archives et de bibliothèque partout dans le monde
Egypte – La description de l’Egypte au début du XXème siècle à travers une collection de cartes postales
Collection de cartes postales sur l'Egypte au travers divers thèmes tels les arts et métiers, les bâtiments, les lieux, les vues et les pharaons.
Ce projet repose sur une collection de cartes postales qui ont été acquises par le Département des Antiquités Egyptiennes du Louvre. Cette collection se compose de 1340 cartes datant du début du XXème siècle. Cette collection restitue d'une manière frappante la ressemblance de l'Egypte avec la description publiée auparavant, au début de 19ème siècle. C'est la raison pour laquelle le même titre a été utilisé, et qu'un chapitre a été consacré à la description comparative de l 'Egypte à travers une collection qui remonte à cent ans, et dont la description originale date d'il ya deux cents ans environ.
Sur cet ensemble de cartes postales la majorité porte le cachet postal. Leurs dates varient essentiellement entre les années 1900 et 1914. Certaines de ces cartes-postales comportent des motifs en gaufrages, ou sont colorées au pochoir. La majorité a été tirée avec le procédé de la phototypie. Quelques rares exemples sont des photographies.
http://portal.unesco.org/ci/fr/ev.php-URL_ID=25422&URL_DO=DO_TOPIC&URL_SECTION=201.html
Wednesday, December 2, 2009
"TUDO É DIFERENTE NO CAIRO QUENTE"
Os postais têm também este dom de reatar contactos, de servirem de pretexto para revisitar memórias que trazem penhorados os nossos afectos. Desta vez foi a longa amizade de uma prima que, por efeito da mediatização do projecto, vendo-nos a ele associado, foi procurar ao fundo da gaveta um daqueles molhos íntimos de correspondência, canonicamente cintados por uma fita de seda, dos quais flui ainda uma suave fragrância de velho perfume, e nos fez uma oferta.
Dos exemplares resistentes, que o passar do tempo patrimonializou, retiro um espécime sugestivo pela natureza "exótica, misteriosa, e emocionante", que a distância do tempo e do espaço, a curiosidade pela viagem, e até, talvez, a expectativa da aventura, atribuem ao “orientalismo” do motivo, um dos maiores temas nobilitadores da ilustração, em geral, e do postal ilustrado, em particular. O mesmo Oriente, diverso e distante, que nos desconstrói Edward Said (1978) e que nós, ocidentais, inventámos, degenerando-o até à perversidade de hoje o reduzirmos a um mundo "problemático e perigoso".
O motivo em causa é a mesquita azul e a animação da estreita rua que lhe dá acesso, no Cairo da primeira metade dos anos de 1930. Como não poderia deixar de ser, o postal ilustrado é de edição britânica e o sentido de quem enquadrou o plano da foto não é muito diferente da intenção de quem o expediu. De facto, este não se distingue assim tanto das memórias difusas de Ulisses na costa africana em busca do retorno a casa ou dos arcaicos relatos de Heródoto que estigmatizou essa expressão de alteridade civilizacional. A mesma ainda que, muito mais tarde, viria a identificar o imaginário de viajantes em "Tour", a filantropia de um Lord Byron, ou a sustentar ainda, sob a égide de Napoleão Bonaparte, a publicação da célebre "Description de l'Égypte, Recueil des observations et des recherches qui ont été faites en Égypte pendant l'expédition française de l'armée" (1809-1829). Produto do trabalho de mais de centena e meia de sábios que integraram as ditas campanhas militares francesas no Egipto entre 1798 e 1801, e que determinaram a imagem de marca do Egipto romântico que proliferou por todo o século XIX. O reconhecido “orientalismo” que perdurou e subsiste, permitindo-nos imaginar T. E. Lawrence (1888-1935) (o das arábias...)a passear por essa mesma rua que vem no postal, ou que nos traz à memória as estrofes daquele sucesso musical português do principio dos anos de 1980, exaltador desse velho mito ocidental… uma vez e sempre o tal exacto "postal" do nosso inconsciente colectivo.
"Isto é o Cairo
Distante, Cairo
Excitante, Cairo
Apaixonante
(…)
aaah, tudo é diferente
aaah, no Cairo quente"
Cairo, Táxi (LP, Polygram, 1982)
Tuesday, November 24, 2009
A subversão dos postais - The subversion of postcards

A coleccção de postais de Paul Eluard, que é parte do espólio do Musée de La Poste, estará em exibição no Centre Pompidou, em Paris, até 11 de Janeiro de 2009, na exposição de fotografia surrealista La Subversion des Images. Os álbums de postais de Paul Eluard que contam com cerca de 2400 postais, e que foram sendo compostos pelo poeta entre 1929 e 1930, são uma montagem de postais “fantaisie” onde abundam os ícones e símbolos populares que compunham esses “trésors de rien du tout” - é assim que Paul Eluard no nº 3-4 da revista Minotaure, em 1933, define os postais. A colecção, que está disposta em conjuntos de seis postais por página, associa postais a cores, a preto e branco, ilustrados e fotográficos, e é uma série de imagens de mulheres - estas são, pode-se dizer, os motivos-base ou o tom de fundo de todos os álbuns – mas também de flores, casais apaixonados, obras de arte, pássaros e outros animais, paisagens, monstros, carros... A organização não tem nenhum critério claro: parece antes obedecer a uma vontade de associação arbitrária de ideias, de relações “de parecença e diferença, de analogia e estranheza, de afinidades e tensões” (José Pierre, Paul Éluard: La carte postale comme matériau du poème visible). Nas palavras de M.B., num artigo publicado no nº14 do Bulletin du Cercle Français des collectionneurs de cartes postales em 1969, com a sua disposição destas miniaturas de imagem, o poeta surrealista transforma os estereotipados e tão vulgares postais numa "alucinação liliputiana do mundo". Da colecção, possível de visionar na exposição em formato digital, ressaltam sobretudo as cores, que variam entre o cinzento turvo das velhas fotografias a preto e branco e os tons excessivos e irreais de grande parte das imagens, algumas das quais eram pintadas à mão após a impressão. Os postais de Eluard, que dizem bastante sobre o poeta mas também sobre a criação visual nos postais da primeira metade do século XX, reconstituem a partir das imagens de "fantasia" um labiríntico mosaico de aparições, imagens, figuras irreais, como se os álbums fizessem das gastas e populares imagens as passagens de um sonho. Os postais, que segundo Salvador Dali eram para os surrealistas "uma base experimental para o estudo do pensamento inconsciente moderno e popular", são fragmentos visuais da nossa memória e foram por isso a vários títulos apropriados e subvertidos por um movimento artístico que contribuiu também ele de modo marcante, para desenhar o imaginário contemporâneo.
Paul Eluard's postcards collection, which is part of the Musée de La Poste permanent collection, is presented in the exhibition of surrealist photography La subversion des Images, in the Centre Pompidou, in Paris, until the 11th January 2009. The postcards albums of Paul Eluard that have 2400 postcards and that had been being composed by the poet between 1929 and 1930 are a montage of “fantaisie” postcards, where we see a lot of those popular icons and symbols that composed the “trésors de rien du tout” –this is the way in which Paul Eluard defines postcards in the no 3-4 of the Minotaure review in 1933. The collection, which is disposed in groups of 6 postcards per page, mixes colored postcards with black and white postcards, illustrated with photographic postcards; it is a series of images of women – women are, we could say, the basic motif and the background color of all the albums – but also of flowers, couples in love, artworks, birds and other animals, landscapes, monsters, cars… The organization doesn’t have a clear criterion: it seems to obey a desire for arbitrary association, for relations of “resemblance and dissemblance, of analogy and strangeness, of affinities and tensions” (José Pierre, Paul Éluard: La carte postale comme matériau du poème visible). In the words of M.B., in an article published in the no 14 of the Bulletin du Cercle Français des collectionneurs de cartes postales in 1969, with his disposition of this miniatures of image, the surrealist poet transforms the stereotyped and so vulgar postcards into a “Lilliputian hallucination of the world”. Regarding the collection, whose digital version can be consulted in the exhibition, the colors are particularly suggestive: they range from a muddy grey of the old black and white photos to the excessive and unreal tonalities of great part of the images – a part of them was hand colored after the printing. Eluard’s postcards, which ‘talk’ about the poet but also about the visual creation in the postcards of the first half of the XXth century, reconstitute a labyrinthine mosaic, of apparitions, images, unreal figures, as if the albums turned the popular and old images into the moments of a dream. The postcards, which constituted for surrealists according to Salvador Dali “an experimental basis for the study of the modern and popular unconscious thinking”, are visual fragments of our memory, and they were because of that appropriated and subverted in many ways by an artistic movement that has also contributed in a decisive way for the contemporaneous ‘imaginarium’.
Sunday, November 22, 2009
Postais ao serviço de causas / Postcards serve causes

28 cents é um projecto curioso que prova bem a longevidade do postal ilustrado. Trata-se da colecção limitada de postais ilustrados por 24 ilustradores, artistas e contemporâneos. O objectivo do projecto, lê-se no site (http://28cents.org/index.html), é criar arte socialmente e ambientalmente consciente.
Esta colecção, cujas imagens estão também disponíveis no site do projecto, está à venda por 20 dólares americanos (menos de 14 Euros), podendo ser adquirida online. Os lucros, explica a organização promotora do projecto, revertem a favor da Art Start, uma organização que promove programas de arte gratuitos para os jovens em risco de Nova Iorque.

28 cents is a curious project that clearly proves the longevity of the postcard. This is the limited collection of postcards by 24 illustrators, artists and contemporary. The aim of the project, that can be read in the site (http://28cents.org/index.html), is to create socially and environmentally conscious art.
This collection, whose images are also available at the project website, is on sale for $ 20 (less than 14 Euros) and can be purchased online. Profits, explains the organization sponsoring the project, benefit Art Start, an organization that promotes free art programs for youths at risk in New York.
Tuesday, November 10, 2009
RCA Secret 2009

