
Friday, April 30, 2010
Dicionário de Postais Eróticos e Humorísticos - Dictionary of Erotic and Humoristic Postcards

Thursday, April 29, 2010
O Bilhete postal em tempo de guerra
Na cidade de Estrasburgo, cercada pelo exército prussiano (de 13 de Agosto a 28 de Setembro de 1870), a comissão local da Sociedade de Socorros aos feridos obteve permissão para o trânsito de correspondência não fechada destinada aos familiares da população sitiada. Circularam, nessas condições, os primeiros bilhetes postais (Correspondenz-Karten) franceses: não timbrados (mais precisamente, com timbre da Prússia) e com o emblema da Cruz Vermelha (Figura 1: postal enviado de Estrasburgo no dia 11 de Setembro de 1870 e entregue, em Agen, no dia 22 do mesmo mês).
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Na cidade de Paris, sitiada de 19 de Setembro de 1870 a 28 de Janeiro de 1871, a solução foi mais complexa. A correspondência sobrevoava as linhas inimigas em balões a gás, que saíam, de dia ou de noite, de vários pontos da cidade. Onde quer que pousassem, os tripulantes dirigiam-se ao posto de correio mais próximo. O balão Le Neptune (Figura 2) foi um dos primeiros a ser utilizados. Por exemplo, no dia 23 de Setembro de 1870, percorreu 104 Km e transportou 125 Kg de correio.

Estes postais, timbrados, com uma face para o endereço do destinatário e a outra para escrita, eram em cartão, com um formato de 11 por 7 centímetros e um peso máximo de 3 gramas. Muitos foram recortados pelos próprios utilizadores. Este tipo de postal ficou conhecido como ballon monté (Figura 3: Postal expedido de Paris por balão no dia 7 de Outubro de 1870 e entregue ao destinatário no dia 20 de Outubro de 1870).

Estes bilhetes postais não eram ilustrados. O primeiro postal ilustrado francês parece ter sido criado por Léon Besnardeau, em 1870, a pensar nos soldados acantonados no Campo de Conlie (Le Mans, Sarthe). Não havendo nenhum exemplar circulado, subsistem dúvidas quanto à datação efectiva deste postal. Trata-se, mesmo assim, de um bilhete postal ilustrado concebido em contexto de guerra, com motivos bélicos e para uso de soldados (Figura 4: Postal criado por Léon Besnardaux, supostamente, em 1870).

A não ser francês, o primeiro bilhete postal ilustrado terá sido alemão ou austríaco. Em 1870, o impressor e livreiro Albert Schwartz propõe um bilhete postal ilustrado para fácil e económica utilização por parte dos soldados mobilizados na guerra contra a França. No canto superior esquerdo, destaca-se a figura de um artilheiro prussiano em combate. Há conhecimento de um exemplar, enviado pelo próprio Albert Schwartz a seu sogro, com carimbo de 16 de Julho de 1870. No ano seguinte, Petar Manojlovic, oficial sérvio do exército austríaco, cria um bilhete postal em que uma das faces é completamente ilustrada com um dragão que estende as suas asas desde Istambul até Moscovo. O único exemplar conhecido foi enviado de Viena no dia 19 de Maio de 1871 (Figura 5: Postal de Petar Manojlovic circulado em 1871). É certo que a gravura não é imediatamente de foro militar, mas sob a sombra do dragão espreita o etos guerreiro: os “dragões” são corpos do exército austríaco e as suas asas, bem como o seu voo, são inequivocamente imperiais.

Em suma, os primeiros bilhetes postais, ilustrados ou não, estão, em grande parte, associados às contingências da guerra e aos desígnios da propaganda.
Fontes:
http://www.cartolis.org/histoire.php
http://www.cartophilie.ch/journal/juin%202003.pdf
http://www.multicollection.fr/LES-ORIGINES-DE-LA-CARTE-POSTALE.html
http://cdf-mh.ne.ch/default.asp/4-0-410-8018-362-307-0/
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:OldestAustrianPictPostcard.jpg
Sunday, April 25, 2010
Tecido, texto, tecedura, textura / Fabric, text, weaving, texture


O tecido veste a pele - esconde-a, tanto como a insinua.
A pele também é um tecido, que estando em nós à superfície abre todavia o humano em profundidade.
O texto é uma pele - podendo dissimulá-la, também a revela. Diz Roland Barthes que as palavras são uma pele: esfrego a minha linguagem contra um outro (Roland Barthes, 1987 [1977], Fragmentos de um discurso amoroso, Lisboa, Edições 70, p. 98).
O tecido, o texto e a pele são matéria táctil.
O tecido tem duas faces - o direito e o avesso. É um entrançado de fios, que perfaz um padrão, e tem nervuras, rugosidades, irregularidades, maior ou menor maciez.
Também o postal ilustrado tem duas faces – a frente e o verso. E é um objecto táctil, com uma textura e uma memória, entre o mesmo e o outro, o longínquo e o próximo. Experimentamo-lo, por exemplo, nas viagens. Por ele circulam permutas e a distância suprime o seu afastamento pela ligação.
Este post fixa-se em dois postais: num, surpreende-nos um bordado sobre papel; noutro, uma matéria esponjosa, de cor rosa.
Fabric covers the skin - it hides it just as much as it reveals it.
Skin is also a fabric; be as it may at the surface, it is, however, the deepest human side because in it we risk life.
Text is a skin – it can be concealed, or revealed. Roland Barthes says that words are a skin: I rub my language against someone else (Roland Barthes, 1987 [1977] Fragmentos de um discurso amoroso, Lisboa, Editions 70, p. 98).
Fabric, text and skin are tactile materials.
Fabric has two sides - the inside and reverse. It is an intertwining of yarn, giving it a pattern, and ribbing, roughness, irregularities, and more or less softness.
A postcard also has two sides - front and back. And it is a tactile object, with a texture and a memory, which links us to someone else, distant and near. We experience this in travels, for instance. Through postcards exchanges take place in which distance is removed via this link.
This post focuses on two postcards: one surprises us with an embroidery on paper, and the other a spongy pink material.
Friday, April 9, 2010
Happy Easter - Funny Vintage Postcards
At Easter postcards of delight which frame life in the magical imaginary of childhood and spring. It’s the quiet pace of life, with the passage of a vast array of colours and a soft breeze.
Tuesday, April 6, 2010
The Postcard Century e Portugal / The Postcard Century and Portugal

Um dos postais encontra-se na capa, discretamente, a um canto, apenas entrevisto numa profusão de postais. O Papa Paulo VI está de mão dada com a Irmã Lúcia, posando para a fotografia, com a imagem de Nossa Senhora por trás. Estávamos em 1968, e em Fátima comemorava-se o cinquentenário das aparições de Nossa Senhora aos Pastorinhos.
Diferente é o caso dos outros dois postais. Um reporta-se ao Portugal de Salazar e Caetano; o outro ao Portugal de Abril, que foi o da ‘revolução dos cravos’.
Curioso é o que se passa com o postal escolhido como um dos dezoito postais que marcam o ano de 1970, enviado de Matosinhos. O postal é o último da série e tem, na frente, a imagem da cidade do Porto, uma cidade periférica, igual a tantas outras no mundo: o casario urbano, o rio e as duas margens, a ponte, os barcos. Ficamos todavia a saber, pelo verso, que até o Portugal salazarista de Marcelo Caetano , que vivia o passado como se presente fora, não podia furtar-se à modernidade, expressa no caso pela pirataria aérea, que então se constituiu como frente de batalha política, com israelitas e palestinianos a digladiar-se a uma escala global, como aliás ainda hoje o fazem, todavia noutras condições.
A abrir ao ano de 1976, Tom Phillips coloca um postal alusivo ao acontecimento que desde 1974 marcava a agenda política mundial – o 25 de Abril, a ‘revolução dos cravos’. Num postal enviado de Lisboa, alguém dá conta das festividades populares que celebram a nova constituição. Mas o que impressiona é a atmosfera do momento: a efervescência dos sentidos; a participação em três comícios numa só noite; o receio de uma ameaça fascista; a força operária do Partido Comunista; a chegada das mulheres à cena política, não importando a idade; um país, no refluxo colonial, a bater-se desenfreadamente pela salvação, através do desvario das forças sociais e políticas, que então travavam um combate radical.
Three postcards mark the presence of Portugal in Tom Phillips’s nineteenth century history in postcards.
We find one of them on the cover, discreetly, in a corner, just discernible amongst an array of postcards. Pope Paul VI is holding hands with Sister Lúcia, posing for the photograph, with Our Lady’s image behind them. We were in 1968 and in Fatima the fiftieth anniversary celebrations of Our Lady‘s apparitions were underway.
The others postcards tell quite a different history. The first one refers to Salazar and Caetano’s Portugal; the second one alludes to 1974, the ‘April of Portugal’, the year of ‘The Carnation Revolution’.
We are amazed at the postcard chosen as one of the eighteen which depict the year 1970. Sent from Matosinhos, this postcard is the last of the series. On the front it shows Porto, a peripheral town, like many others: the urban houses, the river and the two banks, the bridge, the boats. However we find out, by looking at the back, that even Salazarist Portugal, which used to live the present as if it were the past, couldn’t avoid modernity. Highjacking appeared as the expression of modernity and constituted a front of a political war, with Israelis and Palestinians fighting each other at a global scale, as they still do nowadays, however under different conditions.
As an opener for 1976, Tom Phillips presents a postcard referring to April 25, the ‘carnation revolution’, which was the hype of the world political agenda since 1974. In a postcard sent from Lisbon someone points out folk festivities which celebrate the new constitution in the streets. We are surprised by the atmosphere of the moment: the ‘sensory overload’; the participation in three political rallies in an evening only; the fear of the threat of fascism; the working class strength of the Communist Party ; the arrival of women on the political scene, whatever the age; a country, in the days after the colonial epopee, fighting unrestrainedly for salvation with social and political forces frantically engaged in a radical fight.
Sunday, April 4, 2010
A história do século XX em postais ilustrados / The history of the twentieth century in postcards

No ano de 2000, Tom Phillips publicou uma história do século XX em postais ilustrados. Esta obra repertoria dois mil postais de uma selecção de dez mil, tendo o autor visionado cerca de um milhão.
«The Postcard Century exibe a história dos últimos cem anos em palavras e imagens de postais. Dois mil postais ilustrados e as respectivas mensagens dão-nos um relato vivo das pessoas na vida de todos os dias e, através dos postais que escolheram e enviaram, uma visão daquilo que os preocupou, chocou ou divertiu.
Deparamos com os poderosos e os humildes, nas gradações mais variadas, e vemo-los falar de acontecimentos, personagens e lugares do século XX. Das apimentadas piadas da beira-mar, às tragédias de guerra e aos perigos de viagem, até aos caprichos da vida e do trabalho, é a vida inteira que temos pela frente.
Cada ano inclui vistas de Piccadily Circus e o recorte da cidade de Nova Iorque. Embora centrado no Reino Unido e nos Estados Unidos, existem postais de toda a parte do mundo, de Los Angeles a Pequim, da Antártida ao Alasca. Vários temas rompem com violência, de um modo mais notável aqueles que evoluíram com o século, por exemplo os transportes, o cinema, o papel das mulheres, a moda e as férias. E no que respeita ao uso informal da língua inglesa, de Britânicos e Americanos, as mudanças são magnificamente registadas.
O artista e escritor Tom Philipps oferece-nos um comentário do material visual, dando-nos um contexto perceptivo e ideográfico das mensagens. Aqui está num único relance o coração e a espírito dos povos que viveram na mais turbulenta centúria da nossa história».
In 2000 Tom Phillips published a history of the twentieth century in postcards. This is a selection made from over ten thousand cards he has collected for the purpose: those ten thousand were selected from what must be going on for a million he has searched through.
«The Postcard Century shows and tells the story of the last hundred years in its own words and images. Two thousand picture postcards and their messages give a living account of the daily existence of people and a vivid glimpse of what mattered to them, shocked or amused them via the cards they chose to send.
We bump into the high and the mighty, the low and worthy and all degrees in between, and overhear them talking of the events, characters and places of the 20th century. From saucy seaside jokes, the tragedies of war and the hazards of travel to the caprices of life and work, all life is here.
Each year includes views of Piccadilly Circus and the New York city skyline. Though centred on the UK and the USA, cards come from every corner of the world, from Los Angeles to Beijing, from Antarctica to Alaska. Several themes emerge strongly, most notably those which evolved with the century, for example transport, the cinema, the role of women, fashion and holidays. Changes in the English language as used informally by Britons and Americans are powerfully registered.
The artist and writer Tom Phillips provides a commentary on the visual material, giving a perceptive and thoughtful context for the messages. Here is a unique glimpse into the hearts and minds of the people who lived through the most turbulent century in our history».
Tom Phillips, 2000, The Postcard Century. 2000 cards and their messages, London and New York, Thames & Hudson.
Friday, April 2, 2010
Da carta ao email, passando pelo postal / From letter to email, through postcard
Acaba de ser publicado um livro que, a avaliar pelo título, parece ser muito promissor. Trata-se de uma obra que traça o caminho da comunicação epistolar desde a carta ao email, passando pelo postal ilustrado. Pretende argumentar que «a relação entre os velhos e os novos sistemas de comunicação é mais complexa do que se perceberá pela actual teoria dos media.» A ideia da autora é explorar «historicamente as representações simbólicas e materiais da presença através de três áreas dos media: uma comunidade postal de escritores de cartas do século XIX, a correspondência postal dos soldados da primeia Guerra Mundial; e as listas de discussão de email contemporâneas».MILNE, Esther (2010) - Letters, postcards, emails: technologies of presence - New York: Routledge