Sunday, October 14, 2012

bilhetes postaes illustrados



Bilhete postal ilustrado, 1903. 
Edição: Manoel Carneiro. 
Cortesia: Pedro Barros.

Em 1903 Manoel Marques Carneiro, "honrado negociante da rua de Souto e primoroso amador de photographia" editou uma série de postais ilustrados que reproduzem vistas da cidade e as primeiras páginas dos títulos da imprensa periódica bracarense do início do século.

Sobre este postal, que reproduz o n.º 4476 de 14 de Fevereiro de 1903 do Comércio do Minho, com o Campo das Hortas em fundo, disse a redacção:

"A pagina do nosso jornal apresenta dous rasgões irregulares, artisticamente dispostos, com suas sombras e tons nos bordos, denunciando talento, bom gosto e savoir faire pouco vulgares do nosso photographo. Aqui testimunhamos ao intelligente auctor de tão original lembrança, o nosso profundo conhecimento e enthusiastico parabem pela accentuada aptidão que demonstra para trabalhos d’este género".

Saturday, October 13, 2012

Figuras históricas em postais / Historical figures in postcards


Muitos postais ilustrados fizeram circular a imagem de personalidades com visibilidade no espaço público. Mas o que faz Amir Zainorin é diferente. Este artista oriundo da Malásia mas residente na Dinamarca recria a imagem de figuras históricas com colagens de postais gratuitos que recolhe em restaurantes e espaços culturais dinamarqueses. As mil e uma funções dos postais! (mais detalhes aqui)



Many picture postcards made the image of some relevant people circulate widely. But what Amir Zainorin does is different. This artist, who comes from Malasia but living now in Denmark, recreates the image of historical figures with collage work. He uses free cards that he collects from denish restaurants and cultural houses. The thousands functions postcards have! (more details here)

Monday, July 23, 2012

'Postal de Parede' - 'Wallpostard'




O postal gigante pintado por Carl Cowden em 2003, na cidade de Tampa (Flórida, EUA) 



No início de Julho, um postal gigante de estilo retro, pintado numa das fachadas de um edifício público da cidade de Tampa, no estado da Florida nos EUA, viu-se transformado num rectângulo branco à la Malevich: pode até dizer-se que o folclórico ícone esteve à beira de ser convertido na reprodução de um histórico gesto da arte moderna, entretanto muitas vezes repetido. Depois do choque inicial dos habitantes, rapidamente se esclareceu que o postal teria sido simplesmente apagado devido a problemas de humidade na construção e Carl Cowden, o artista que o havia desenhado em 2003, apressou-se a acalmar os ânimos, repintando o tão popular mural, que é pelos vistos, um dos alvos prediletos da objectiva fotográfica dos turistas.

É unânime a ideia de que a América é a pátria do fake: de Boorstin a Baudrillard a muitos outros, têm sido inúmeros os olhos que o confirmam. Este postal, embora já pintado no séc. XXI, inspira-se num postal ilustrado dos anos 40 e reproduz uma moda corrente na época, desenhando as atracões locais sobre fundo azul em cada letra que compõe o nome da cidade de Tampa. Relativamente a esta segunda versão, Carl Cowden confessa que sempre desejou refazer o mural e adianta que tudo estará pronto até ao final do mês, mesmo a tempo da Convenção Nacional Republicana. A ideia é que o original seja na sua generalidade mantido: o artista apenas arranjará o traçado de algumas palmeiras mais ao seu gosto e acrescentará um minarete.



In early July, a giant postcard in a retro style, painted on the facades of a public building in the city of Tampa, in Florida in the U.S., found himself transformed into a white rectangle à la Malevich: you can even say that the folk icon was on the verge of being converted in the reproduction of an historical gesture of the modern art, which have meanwhile been often repeted. After the initial shock of the residents, it became quickly clear that the postcard would have simply been deleted due to moisture problems in the building. Carl Cowden, the artist who had designed it in 2003, hastened to calm down the people and to repaint the popular mural, which, apparently, is a favourite target of the tourists photographic lens.

There is this common idea that America is the motherland of the fake: from Baudrillard to Boorstin to many others, lots of people have confirmed this vision. Even though this postcard was painted in the XXIth century, it is inspired by a postard from the 40's and thus recalls a common postcard style at that time, with local attractions shown in each letter and a blue background. Concerning this second version, Carl Cowden admitted he had always wanted to redo the mural and he promised that everything would be ready by the end of the month, just in time for the Republican National Convention. The original is to be kept: the artist will only sketch the palm trees more to his liking and to add a minaret.

Sunday, June 10, 2012

Azulejos e Postais - Tiles and Postcards

 Postal Edições 19 de Abril - Lisboa




Pintar azulejos ou ilustrar postais faz parte dessas artes que tantas vezes se têm dito menores. Deparar-nos com postais nos estandartes dos quiosques ou reparar nos fragmentos de cerâmica que forram as casas portuguesas faz parte da nossa experiência visual quotidiana. Enviar a fotografia de um painel de azulejos num postal é ainda uma prática bem conhecida do viajante que percorre as muitas cidades de Portugal e que fica deslumbrado com o mosaico colorido das fachadas. Enviar azulejos como quem envia um postal é que parece uma ação mais rara: foi das mãos do brasileiro Ramon Cavalcante que saiu esta ideia... Estes azulejos nada têm dos desenhos tradicionais nacionais, nem nos falam de um mundo onde enviar mensagens por postal era uma popular forma de comunicação: são imagens e frases impressos em cerâmica e remetidos pelo correio,  quadradinhos ilustrados que nos fazem perguntas bem contemporâneas.

Painting tiles and illustrating postcards are part of this group of activities, which we used to call minor, or folk arts. Looking at postcards in kiosks or staring at the ceramic fragments, which cover Portuguese houses, are part of our everyday life experience. Sending the photography of a tile panel in a postcard is a very known practice for he/she who visits Portugal cities and get amazed by the facades coloured mosaic. Mailing tiles as if we were mailing postcards seems to be something rarer: the idea has come from the hands of the Brazilian Ramon Cavalcante… These tiles have nothing to do with the Portuguese traditional designs, and they don’t remind us of a distant time where postcards were popular means of communication: they are images and sentences print in ceramic and sent by mail, little squares, which put us quite contemporary questions.  

Thursday, May 17, 2012

Jardim à beira mar plantado: o postal ilustrado na investigação científica portuguesa Garden planted at the seaside: the picture postcard on the portuguese scientific research




Praia da Barra, Colecção Fernando de Moraes Sarmento

“Um jardim à beira-mar plantado”, a expressão, com origem num poema do séc.XIX escrito por Tomás Ribeiro, é usada amiúde para descrever Portugal. O postal, como o jardim, é uma espécie de miniatura de paisagem, onde tudo é normalmente harmonioso, pitoresco e aprazível: construções artificiais, ambos são uma espécie de recanto idílico do olhar, onde se pode suspender a experiência de bulício, de desordem, de turbulência que há no quotidiano das grandes metrópoles.

A produção científica dedicada ao postal ilustrado não era até há algum tempo muito significativa mas a situação tem vindo a alterar-se progressivamente nos últimos anos. A equipa que publica este blogue é um exemplo e, pode dizer-se, uma importante referência, da atual investigação nacional dedicada a este suporte fotográfico e velho meio de comunicação, tendo vindo a analisá-lo na perspectiva interdisciplinar da semiótica e da cultura visual. Mas, claro, não abarca nela todos os esforços científicos feitos ao nível do país para aprofundar o estudo do postal ilustrado, até há pouco tão marginalizado nos mais diversos domínios científicos. Assim, deixamos aqui algumas referências de trabalhos, recentemente publicados, realizados no âmbito da antropologia, da história de arte, da semiótica, que têm em comum uma preferência pelas representações de um Portugal de algum modo idílico, ora porque atravessado por barcos nas águas do Tejo, ora porque estendido nas areias e nas águas da sua imensa orla marítima, ora porque pontuado por faróis que espiam silenciosamente o mar revolto. Trata-se, poderíamos dizer, de um Portugal que lembra a tal expressão popular do “jardim à beira mar plantado” e que não deixa de evocar as heterotopias de Michel Foucault. O investigador Carlos Robalo do Departamento de Antropologia do ISCTE defendeu recentemente uma dissertação de mestrado, Paisagens trocadas: postais, olhares e memórias sobre a lezíria do Tejo. Por sua vez, no âmbito do II Encontro do CITCEM (Centro de Investigação Transdisciplinar, Cultura, Espaço e Memória), realizado em Outubro de 2011, e dedicado ao Mar, aos seus usos e representações, Vera Teixeira, mestre e doutoranda em História da Arte Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, apresentou uma comunicação sobre A representação do mar nos postais ilustrados patentes no Arquivo Histórico do Porto.  No mesmo contexto, Teresa Costa, Mestre em Estudos Americanos pela Universidade Aberta e docente da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, expôs um paper intitulado Faróis: iconografia postal da costa portuguesa.

“A garden planted at the seaside”, which is an expression inspired in a XIXth century poem written by Tomás Ribeiro, is often used to describe Portugal. The picture postcard, as well as a garden, is a kind of landscape miniature, where everything is usually harmonious, picturesque and pleasant: the postcard and the garden are both artificial constructions, a sort of idyllic corners of the gaze, where we can suspend the buzz, disorder and turbulence experiences of everyday life in the great metropolis.

The scientific research about the picture postcard was not very important some time ago. Nevertheless, the situation has been gradually changing during the last years. The research team who writes this weblog is an example and an important reference concerning the national research devoted to this photographic device and old medium and has been analysing the postcard through the interdisciplinary lengths of semiotics and visual culture. But, obviously, our work doesn’t cover all the scientific efforts developed in this country in order to enrich the picture postcard study, which was discredited as a marginal subject during so many years… So, let’s present here some recent works from different fields such as anthropology, art history and semiotics, which have in common their preference for the representations of some of the most idyllic Portuguese landscapes: views of boats that cross the river Tagus, views of the sand and the water of the endless seaside, views of the silent lighthouses which spy the rough seas. We would say that they all chose Portuguese landscapes, which remind us of the popular expression “a garden planted at the seaside” and which could be compared to the Michel Foucault’s heterotopias. Carlos Robalo, a researcher in the ISCTE Anthropology Department, has recently presented his Master dissertation, Shared Landscapes: postcards, glances and memories of the Tagus marchland. In October 2011, at the II CITCEM CONFERENCE - THE SEA | Heritage, Uses and representations, Vera Teixeira, a Phd student on History of Portuguese Art in the University of Oporto, presented a paper about The representation of sea on the picture postcards from the Oporto Historical Archive. In the same conference, Teresa Costa, a master on American Studies and a teacher from the ESHTE, talked about the lighthouses and the postal iconography