Monday, January 13, 2014

'Aventando' postais da II Guerra Mundial / 'Winding' postcards from the 2nd World War

Um dos autores do blogue Aventar conta que há uns anos descobriu na casa dos avós uma coleção de suportes de propaganda da II Guerra Mundial, nomeadamente postais. Na dificuldade de encontrar um arquivo oficial rigoroso destes materiais (nem a Biblioteca Nacional tem um registo fidedigno de tudo o que se editou em suporte postal, apesar do pressuposto do Depósito Legal Obrigatório), as coleções pessoais e particulares constituem uma riqueza extraordinária. Mário Reis promete ir 'postando' algumas digitalizações do acervo da família.
Fonte / Source: Aventar

At Aventar  we are told that one of this blog's authors found a collection of propaganda from the 2nd World War at his grandparents' house a few years ago. Taking into account how difficult it is to find a rigorous official archive of these materials (not even the National Library has a reliable register of everything what was edited in the form of postcard, though the principle of the Obligatory Legal Deposit), personal and private collections constitute an extraordinary richness. Mário Reis promises to post some scannings of his family heritage.

Thursday, January 2, 2014

Objetos intrigantes, uma crónica de Jorge Palinhos

Nas vésperas de 2014, Jorge Palinhos, cronista do Público, escreve um breve apontamento dedicado aos postais ilustrados, em que não só reflete sobre estes objetos visuais que o fascinam pela mistura de palavras pessoais com imagens reproduzidas, como aí faz referência ao nosso projeto de investigação.

Saturday, September 7, 2013

Retratos



O retrato fotográfico tem tido, desde que apareceu no final do séc. XIX até aos nossos dias, acompanhados pelas redes sociais e pela partilha instantânea de imagens, um lugar privilegiado nas práticas artísticas, nas rotinas comerciais e nas recreações amadoras. Propício ao exercício da mais tradicional expressão visual e dos mais canónicos padrões estéticos, o retrato fotográfico tem sido também favorável à experimentação.  Na história do postal ilustrado, cujo papel é fundamental na difusão da fotografia, os retratos a preto e branco e a cores de atores e atrizes tornam-se cedo populares. Se no início do séc. XX são ainda os profissionais do teatro que fazem pose nos postais ilustrados (como lemos aqui), a partir dos anos 50, são as divas e os ídolos de Hollywood que passam a ser impressos em grande escala, e com o devido grão fotográfico, nos cartões de pequenas dimensões.

O retrato de Marilyn Monroe, tirado em 1957 por Richard Avedon, atualmente em exposição na National Portrait Gallery em Canberra na Austrália e editado em formato de postal no âmbito da mesma, não é uma imagem comum e muito menos um clássico postal ilustrado. Nele, a atriz que deu rosto às intrigas de cineastas como Fritz Lang, Howard Hawks, Billy Wilder e John Houston, não tem nem o sorriso rasgado nem a pose exuberante a que habituou as objetivas da sua época. De ombros encolhidos e boca entreaberta, Marilyn, um dos mais célebres ícones da cultura popular norte-americana, revela-se, no retrato de Richard Avedon – como, de resto, na sua conhecida biografia – uma estrela sombria. Este lado escuro da pin-up, que é ofuscado pelos filmes com happyending e pelos postais com pose, não só brilha nesta mostra de fotografia e nos postais que a publicitam, como parece fixar nela o reflexo de um imaginário contemporâneo em torno de um certo mal de vivre.

Saturday, August 31, 2013

Neves de agosto


Saraiva, A. (2011) A Guarda em Postal Ilustrado de 1901 a 1970. Guarda: Gabinete de Promoção para a Guarda. 

Eram uma meia dúzia de veraneantes na pequena loja envidraçada onde se improvisava anualmente uma feira do livro. Tinham chegado ali precipitados pelo calor estonteante de agosto, fugindo aos raios de sol da tarde, e evitando o cheiro a mar e a incêndio disperso pelo ar. Atravessavam o pavimento, pisando restos de areia  e reconheciam-se ao longe, pelos calções distraídos, pelas t-shirts que deixavam a descoberto as alças do biquíni, pelos óculos de sol na cabeça e as garrafas de água na mão. Rodeavam os livros impacientes, folheando daqui e dacolá. Nas bancas de contraplacado, um grande livro pálido, com uma fotografia a sépia da cidade da Guarda coberta de neve, chamou a minha atenção. Estaquei bem a meio do corredor, agarrei desajeitadamente o livro e, com algum vagar então, comecei a virar as páginas.

Era uma publicação dedicada aos postais ilustrados da Guarda circulados entre 1901 e 1970,  reeditada recentemente. Os tradicionais temas da cartofilia sucediam-se com a monotonia do tempo que passa e do tempo que faz no catálogo de promoção da cidade da beira interior que mal conhecia; mas, chegando a meio do livro, uma vintena de páginas era reservada aos postais fotográficos da Guarda em dias de neve... Os postais da Guarda com neve, vistos a partir de um agosto tórrido no litoral balnear português, pareciam provas de existência de uma cidade fantástica, de um povoado feérico, de uma terra de faz de conta: as fachadas dos velhos edifícios rendilhadas pela espessura branca da neve, os cavalos de madeira de um velho carrossel parados pelo Inverno gelado, os automóveis antigos com as suas muitas curvas arredondadas pelo pesado nevão, os portões de ferro bordados pela fina camada de neve, as árvores e os seus ramos suportando a queda de um grande floco branco, tudo isto pareciam visões de uma outra parte, cuja estranheza era agravada pelo agosto e pelos seus reclames de estâncias balneares, pelas suas fotografias de retiros estivais, pelos seus postais ilustrados de férias...


Interior do livro A Guarda em Postal Ilustrado de António Saraiva (secção de postais dedicados à neve)

Ocorreu-me então que ainda não tinha escrito nenhum postal nesse Verão, e que, se o fizesse, em vez da clássica fotografia do farol, do barco, do areal ou do mar, preferiria garatujar nas costas de um desses irreais postais fotográficos da Guarda coberta de neve, como quem quisesse reinventar o agosto.  

Wednesday, August 7, 2013

A terra treme




'A terra treme', título de um filme realizado nos anos 40 pelo italiano Luchiano Visconti, poderia também ser hoje uma legenda descritiva para o recente projeto do nova-iorquino Clement Valla. Na era dos media digitais, o artista norte-americano não recorreu ao cinema, meio de comunicação contemporâneo do postal ilustrado, para respigar, colecionar e montar imagens das dobras, curvas e trepidações do mundo. Com 'Postcards from Google Earth', Valla declara ter descoberto nos ambientes tridimensionais e nas imagens de satélite momentos de fragmentação, em que a familiar e harmoniosa superfície da terra aparece repentinamente desconhecida e inquietante. Nas suas próprias palavras, tratam-se de postais digitais de "estranhos momentos em que a ilusão da representação de uma superfície terrestre contínua e sem costuras parece desfazer-se". Mais informações sobre Postcards from Google Earth aqui

Thursday, June 13, 2013

Novos postais de Viana do Castelo

A Objectos Misturados dedica-se a criar peças únicas feitas manualmente. Recentemente desafiou 3 designers de Viana do Castelo a desenvolver uma ilustração para uma coleção de postais, cujo tema fosse a cidade de Viana do Castelo. O resultado é este...

Thursday, May 23, 2013

Os exóticos postais de Rui Ricardo

Victor Segalen no seu ensaio sobre o exótico assinalava que este último poderia ter origem tanto no intervalo espacial como na diferença temporal. Grande parte dos postais de Rui Ricardo (também disponíveis em formato de poster) - embora não possam ser assimilados à concepção radical do exotismo proposta por Segalen que se reportava a este sentimento como experiência de uma alteridade absoluta - evocam, em todo o caso, a dupla aceção do exotismo dos lugares e dos momentos sugerida pelo poeta francês: desenhando fragmentos de cidades do mundo com o olhar pormenorizado e estranhado do viajante, Rui Ricardo acrescenta ainda às suas ilustrações uma estética vintage que nos faz recuar às imagens dos cartazes de publicidade do início do séc. XX. 





SEGALEN, Victor (1978). Essai sur l’exotisme. Paris: Fata Morgana.