Showing posts with label postais turísticos. Show all posts
Showing posts with label postais turísticos. Show all posts

Friday, February 13, 2009

A Tour Eiffel pelo Doisneau na era da Tour Eiffel pelo telemóvel

Distorsion optique (1965) de Robert Doisneau, imagem reproduzida na face de postais actualmente à venda nas papelarias e lojas de souvenirs da cidade de Paris; segundo Nicolas Hossard (que já apresentamos aqui ), a imagem da Tour Eiffel é a face de postal mais vendida no mundo;    

Hoje num passeio pela capital francesa já não nos impressionarão as passagens, as gares e os novos meios de transporte que tanto inspiraram Walter Benjamin, que deu a esta cidade o título de capital do séc. XIX. Em pleno séc. XXI quem se abandona à flânerie nesta cidade pode, entre muitas outras coisas, ser atropelado pelos intermináveis expositores de postais na soleira das livrarias, papelarias e lojas de souvenirs, onde logo dará pela abundância de fotografias a preto e branco assinadas por fotógrafos e artistas como Robert Doisneau, Henri Cartier Bresson, Willy Ronis, Man Ray... Quem vagueia aqui pode ainda, por outro lado, ser interrompido na sua ociosa caminhada por um qualquer transeunte que estaca na calçada de câmara fotográfica ou telemóvel em punho a imortalizar com uns quatro ou cinco flashes o edifício antigo com ar imponente - é esta a Paris vendida aos turistas pela nova tecnologia digital. Já a Paris vendida aos turistas pelo postal é cada vez menos a cidade actual, e à imagem que mostrava ao destinatário que o remetente estivera ali, mesmo ali, naquele trecho de cidade que tinha grosso modo o aspecto que se lhe descobria na fotografia, substitui-se hoje, mais ainda do que a ficção de tipo kitsch, a reprodução da ficção assinada pela arte que de algum modo inventou, inventa e reinventa continuamente a cidade. 

Nicolas Hossard, sociólogo francês autor de Recto Verso, Les faces cachées de la carte postale, actualmente investigador no Laboratório de Culturas e Sociedades na Europa da Universidade de Strasbourg, em entrevista connosco no passado dia 12, afirma que os fenómenos estão intrinsecamente ligados - é a generalização da imagem digital que precipita essa progressiva amalgama da publicidade turística com a arte no postal: En effet, jusqu’à il y a quelques années la carte postale était surtout conforme au lieu parce que les gens n’avaient pas tous un appareil photo ; aujourd’hui il est impensable qu’un touriste n’a pas un appareil de photo numérique ou un portable qui prend des photos. Et du coup on personnifie le rapport à l’espace en prenant soi-même des photos de l’espace. Et ainsi il y a tout un champ qui est intéressant de développer sur la concurrence de cette numérisation de l’image et de la production personnelle de l’image qui fait se redéfinir l’imagerie de la carte postale. 

Thursday, December 11, 2008

Um postal turístico que não fala a língua universal dos postais turísticos

Fig. 1. Postal turístico de Zurique na origem da polémica noticiada pela imprensa internacional no início do mês de Dezembro



Fig. 2. Postal turístico tradicional da cidade de Zurique publicado numa página do Flickr (aqui)

"La carte postale touristique est une image policée qui ne semble tolérer aucun débordement. Ceci nous fait dire que le type d'images rencontré sur un tel support est toujours 'neutre' ou 'positif': la photographie de carte postale est une image 'lisse'.Nicolas Hossard, 2005: 40 (Recto Verso Les faces cachées de la carte postale. Paris: Arcadia Editions)
De facto, as imagens dos postais turísticos são habitualmente uma espécie de personagens planas na história da imagem e da publicidade... Conformes às expectativas e aos estereótipos, elas costumam corresponder à linguagem universal das belas paisagens e dos cenários aprazíveis, impecavelmente fotografados.  No entanto, há excepções e a provocação e a polémica tão frequentemente lançadas pela linguagem publicitária começeçaram ocasionalmente a contaminar os cartões-souvenir.  Um postal turístico de Zurique recentemente posto à venda nos quiosques da cidade (fig.1),  e cujo autor é o designer Tristan Hauser, é um desses casos. Representando a cidade através do nome da mesma escrito com cocaína, o designer, que já admitiu a falta de um 'aparelho' crítico na imagem de que é autor, chocou os cidadãos de Zurique, que enviaram inúmeros protestos ao jornal diário Tages-Anzeiger , responsável pelo concurso de postais, do qual Hauser foi um dos vencedores. A imprensa internacional acompanhou o debate em torno deste postal que segundo Frank Bumann, director do Turismo de Zurique e membro do júri do concurso, é apenas "uma alusão divertida" que faz referência a um aspecto da cidade que "é impossível ignorar".