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Monday, May 13, 2013

postais Moleskine, marketing do velho e do novo



Os cadernos de notas Moleskine já se tornaram objetos de culto: a editora que recuperou estes cadernos com mais de dois séculos não se esquece de recorrer à narrrativa para nos recordar que estes serviram as anotações e os esboços de pintores e escritores como Vincent van Gogh, Pablo Picasso, Ernest Hemingway, entre outros... Usando a tradição que a liga ao mundo das artes para se promover, a Moleskine não deixa também de utilizar a inovação para seduzir o seu público de aficionados. Os postal notebooks apresentam a forma de um postal mas, quando abertos, escondem no seu interior uma folha em branco, funcionando à semelhança de um envelope. Os notecards são uma espécie de cadernos com duas páginas em branco, acompanhados de envelope. Porque podemos desejar partilhar os nossos rascunhos mais inspirados, de uma nova forma, recorrendo a estes clássicos cadernos e ao tradicional envio postal.  

Monday, May 18, 2009

O postal à mesa de mistura

Recto do postal de arte nº 13 da série 41 as Awami criada por Max Guedj e editada pela Galerie L'Oeil du Huit em 2002 (adquirido em Paris, em Janeiro de 2009) 
Connect... Draw... Remix, Matthew Falla, 2007

São duas criações aparentemente distantes mas que dizem sobre os postais algo semelhante... Contemporâneo das pioneiras fotografias, que deram a ver a primeira imagem do encontro entre o homem e a máquina (Walter Benjamin), o postal é uma outra figura desse encontro: carta pré-feita, o postal começa com a mistura das nossas velhas palavras manuscritas a uma produção maciça e impressa. Ora, os postais de arte inventados pelo francês Max Guedj põem precisamente em cena um teatro tipográfico no recto do postal, que desenha formas e completa mensagens, a partir do cruzamento da tipografia com o manuscrito. Já o designer londrino Matthew Falla, cuja obra se centra na combinação de suportes tradicionais (posters, souvenirs, postais) com as possibilidades interactivas da tecnologia e do multimedia, complica o jogo.   Connect... Draw...Remix é uma série de cartões pintados pelos seus utilizadores e  lidos por um leitor com cabo USB; no mesmo movimento em que vão traçando riscos com um lápis no postal, os utilizadores vão misturando música (um vídeo exibindo o processo está disponível no site oficial de M. Falla). Os postais de Guedj são tradicionais e podem ser enviados com as mensagens curtas e redundantes que sempre inscrevemos no verso dos cartões; os postais de Mathew Falla, referidos como postais pelo designer, e incluídos na obra Cartes Postales de FL@33, já quase não nos parecem postais... Mas ambos, enviados ou não, nos lembram que o postal, combinando uma reprodução em massa com uma mensagem manuscrita e singular, pressupõe na sua própria natureza um princípio de apropriação, de citação, de montagem, de mistura e de hibridação.

Friday, February 13, 2009

A Tour Eiffel pelo Doisneau na era da Tour Eiffel pelo telemóvel

Distorsion optique (1965) de Robert Doisneau, imagem reproduzida na face de postais actualmente à venda nas papelarias e lojas de souvenirs da cidade de Paris; segundo Nicolas Hossard (que já apresentamos aqui ), a imagem da Tour Eiffel é a face de postal mais vendida no mundo;    

Hoje num passeio pela capital francesa já não nos impressionarão as passagens, as gares e os novos meios de transporte que tanto inspiraram Walter Benjamin, que deu a esta cidade o título de capital do séc. XIX. Em pleno séc. XXI quem se abandona à flânerie nesta cidade pode, entre muitas outras coisas, ser atropelado pelos intermináveis expositores de postais na soleira das livrarias, papelarias e lojas de souvenirs, onde logo dará pela abundância de fotografias a preto e branco assinadas por fotógrafos e artistas como Robert Doisneau, Henri Cartier Bresson, Willy Ronis, Man Ray... Quem vagueia aqui pode ainda, por outro lado, ser interrompido na sua ociosa caminhada por um qualquer transeunte que estaca na calçada de câmara fotográfica ou telemóvel em punho a imortalizar com uns quatro ou cinco flashes o edifício antigo com ar imponente - é esta a Paris vendida aos turistas pela nova tecnologia digital. Já a Paris vendida aos turistas pelo postal é cada vez menos a cidade actual, e à imagem que mostrava ao destinatário que o remetente estivera ali, mesmo ali, naquele trecho de cidade que tinha grosso modo o aspecto que se lhe descobria na fotografia, substitui-se hoje, mais ainda do que a ficção de tipo kitsch, a reprodução da ficção assinada pela arte que de algum modo inventou, inventa e reinventa continuamente a cidade. 

Nicolas Hossard, sociólogo francês autor de Recto Verso, Les faces cachées de la carte postale, actualmente investigador no Laboratório de Culturas e Sociedades na Europa da Universidade de Strasbourg, em entrevista connosco no passado dia 12, afirma que os fenómenos estão intrinsecamente ligados - é a generalização da imagem digital que precipita essa progressiva amalgama da publicidade turística com a arte no postal: En effet, jusqu’à il y a quelques années la carte postale était surtout conforme au lieu parce que les gens n’avaient pas tous un appareil photo ; aujourd’hui il est impensable qu’un touriste n’a pas un appareil de photo numérique ou un portable qui prend des photos. Et du coup on personnifie le rapport à l’espace en prenant soi-même des photos de l’espace. Et ainsi il y a tout un champ qui est intéressant de développer sur la concurrence de cette numérisation de l’image et de la production personnelle de l’image qui fait se redéfinir l’imagerie de la carte postale. 

Friday, February 6, 2009

Quando o postal é a moldura: RCA Secret, Linden Postcard Show e PACE

Postal exibido e vendido no RCA Secret de 2008 criado pela artista plástica portuguesa Paula Rego   

 Hoodhead No.5 de Scott Miles, postal congratulado com o terceiro prémio do do Linden Postcard Show de 2008

see{k} de Tara Nicole Tonsor, um dos postais seleccionados e exibidos no Postcard Art Competition/Exhibition (PACE) de 2005


Nascido na 'era da reprodutibilidade técnica', o postal foi um dos primeiros suportes a reproduzir obras de arte e a popularizar o acesso a estas. Por outro lado, desde Marcel Duchamp com a série de postais “Rendez vous dimanche 6 février 1916 à 1h ¾ de 1'm après-midi” endereçados aos seus mecenas Arensbergs, passando pela eclosão da prática da mailart nos anos 60 com Ray Johnson nos EUA até aos dias de hoje, o postal passou a ser usado frequentemente como o suporte, o material e o próprio princípio orientador de singulares obras de arte. 

O RCA Secret, no Royal College of Art de Londres, de que já falamos aqui, é uma exibição de postais que recebe, expõe e vende postais criados por artistas como Paula Rego, Yoko Ono, Quentin Blake ou Tracey Emin. O Linden Postcard Show realiza-se anualmente no Linden Center for Contemporary Arts, em St Kilda na Australia – trata-se de uma competição aberta a artistas australianos que concorrem com trabalhos da fotografia, do design e das artes plásticas no formato do postal: os postais seleccionados este ano estarão renuidos, expostos e disponíveis para venda a partir de amanhã, naquela que será a 18ª edição deste evento. Curiosamente, quer o RCA Secret quer o Linden Postcard Show, ambos singularmente concorridos, representam para as instiuições que os promovem a fonte de uma boa parte dos seus fundos anuais. Finalmente, o PACE  é organizado pelo museu que detém uma das maiores coleccções púbicas de postais  do mundo: são os Curt Teich Postcard Archives do Lake County Discovery Museum, no estado de Illinois (EUA). Esta competição de postais norte-americana é bi-anual e este ano a sua 8ª edição aceita as propostas de artistas de todo o mundo até Julho (a exibição terá lugar em Outubro).

Porque é popular, porque se destina ao envio, porque tem baixo custo, porque tem um formato pequeno, porque pode ser acolhido em grande quantidade e em grande diversidade por uma mesma exposição – são várias as razões que fazem hoje perdurar o postal como um suporte artístico apetecível seja para a prática da arte a um nível alternativo, isolado e mais underground, seja para ser integrado  nas estratégias de instituições e museus de dimensão internacional.