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Monday, May 13, 2013

postais Moleskine, marketing do velho e do novo



Os cadernos de notas Moleskine já se tornaram objetos de culto: a editora que recuperou estes cadernos com mais de dois séculos não se esquece de recorrer à narrrativa para nos recordar que estes serviram as anotações e os esboços de pintores e escritores como Vincent van Gogh, Pablo Picasso, Ernest Hemingway, entre outros... Usando a tradição que a liga ao mundo das artes para se promover, a Moleskine não deixa também de utilizar a inovação para seduzir o seu público de aficionados. Os postal notebooks apresentam a forma de um postal mas, quando abertos, escondem no seu interior uma folha em branco, funcionando à semelhança de um envelope. Os notecards são uma espécie de cadernos com duas páginas em branco, acompanhados de envelope. Porque podemos desejar partilhar os nossos rascunhos mais inspirados, de uma nova forma, recorrendo a estes clássicos cadernos e ao tradicional envio postal.  

Sunday, October 14, 2012

bilhetes postaes illustrados



Bilhete postal ilustrado, 1903. 
Edição: Manoel Carneiro. 
Cortesia: Pedro Barros.

Em 1903 Manoel Marques Carneiro, "honrado negociante da rua de Souto e primoroso amador de photographia" editou uma série de postais ilustrados que reproduzem vistas da cidade e as primeiras páginas dos títulos da imprensa periódica bracarense do início do século.

Sobre este postal, que reproduz o n.º 4476 de 14 de Fevereiro de 1903 do Comércio do Minho, com o Campo das Hortas em fundo, disse a redacção:

"A pagina do nosso jornal apresenta dous rasgões irregulares, artisticamente dispostos, com suas sombras e tons nos bordos, denunciando talento, bom gosto e savoir faire pouco vulgares do nosso photographo. Aqui testimunhamos ao intelligente auctor de tão original lembrança, o nosso profundo conhecimento e enthusiastico parabem pela accentuada aptidão que demonstra para trabalhos d’este género".

Wednesday, September 16, 2009

Dos postais ao e-mail - From postcards to e-mail

Postcard by Daniel Eatock, 2004
Postcard by Daniel Eatock, 2004

Os postais têm sido comparados às sms's ou ao até ao recente fenómeno Twitter pela sua brevidade e pela frequência com que eram enviados na sua idade de ouro (1900-1920). O designer londrino Daniel Eatock  ilustra o meio de comunicação e objecto de correspondência, filho da era da reproductibilidade técnica e dos transportes, com imagens da era da Web 2.0.

Postcards have been compared to text messages or even to Twitter recent phenomenon because of its shortness and because of the frequency of their sending during their golden age (1900-1920). The Londoner designer Daniel Eatock illustrates the medium and correspondence object, appeared at the age of the mechanical reproducibility and of the transport, with pictures from the Web 2.0 age.

Monday, May 18, 2009

O postal à mesa de mistura

Recto do postal de arte nº 13 da série 41 as Awami criada por Max Guedj e editada pela Galerie L'Oeil du Huit em 2002 (adquirido em Paris, em Janeiro de 2009) 
Connect... Draw... Remix, Matthew Falla, 2007

São duas criações aparentemente distantes mas que dizem sobre os postais algo semelhante... Contemporâneo das pioneiras fotografias, que deram a ver a primeira imagem do encontro entre o homem e a máquina (Walter Benjamin), o postal é uma outra figura desse encontro: carta pré-feita, o postal começa com a mistura das nossas velhas palavras manuscritas a uma produção maciça e impressa. Ora, os postais de arte inventados pelo francês Max Guedj põem precisamente em cena um teatro tipográfico no recto do postal, que desenha formas e completa mensagens, a partir do cruzamento da tipografia com o manuscrito. Já o designer londrino Matthew Falla, cuja obra se centra na combinação de suportes tradicionais (posters, souvenirs, postais) com as possibilidades interactivas da tecnologia e do multimedia, complica o jogo.   Connect... Draw...Remix é uma série de cartões pintados pelos seus utilizadores e  lidos por um leitor com cabo USB; no mesmo movimento em que vão traçando riscos com um lápis no postal, os utilizadores vão misturando música (um vídeo exibindo o processo está disponível no site oficial de M. Falla). Os postais de Guedj são tradicionais e podem ser enviados com as mensagens curtas e redundantes que sempre inscrevemos no verso dos cartões; os postais de Mathew Falla, referidos como postais pelo designer, e incluídos na obra Cartes Postales de FL@33, já quase não nos parecem postais... Mas ambos, enviados ou não, nos lembram que o postal, combinando uma reprodução em massa com uma mensagem manuscrita e singular, pressupõe na sua própria natureza um princípio de apropriação, de citação, de montagem, de mistura e de hibridação.

Wednesday, March 4, 2009

Um dia do postal num dia da comunidade: é no próximo sábado, em Braga


Pode-se dizer que o Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho é o remetente (pela mão do nosso projecto Os postais ilustrados: para uma sócio-semiótica da imagem e do imaginário). E que os destinatários são todos aqueles que no próximo dia 7 de Março pretenderem assistir  à exposição e tertúlia em torno dos postais e do lugar deles na vida da comunidade, no Museu D. Diogo de Sousa, em Braga. Uma exposição de postais de Braga, uma instalação cartográfica também alusiva  à cidade minhota, a exibição de reportagens realizadas nos quiosques de postais bracarenses, uma banca de venda de postais antigos, uma mesa-redonda à qual se sentarão diferentes vozes com particulares ligações ao cartão ilustrado - estes são, grosso modo, os diferentes momentos de uma jornada que promete revelar mais do que duas faces ao postal.

O projecto colectivo dedicado aos postais, coordenado por Moisés de Lemos Martins e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia pretende, com este evento, estabelecer uma ponte entre o seu percurso de investigação iniciado em 2007 e o público em geral. Através de uma exposição, de vídeos, de uma banca e uma tertúlia, o nosso projecto que engloba disciplinas que vão da Antropologia às Ciências da Comunicação, quer ao longo do próximo sábado dar lugar a um debate atento ao valor documental e histórico do postal (cuja vida já remonta ao séc. XIX), à actualidade deste meio de comunicação, ao postal como veículo do imaginário de uma cidade, à cartofilia, ao postal enquanto objecto de colecção, ou ainda finalmente, ao postal ao serviço da promoção turística. 

Programa
10h00 | Inauguração de uma Exposição de postais de Braga, organizada pela Biblioteca Pública de Braga (sob a responsabilidade do Director, Henrique Barreto Nunes);
10h30 | Cartografia postal da cidade de Braga (instalação de Miguel Bandeira e Helena Pires);
11h00 | Sessão audiovisual, com apresentação de reportagens feitas a vendedores de postais de alguns quiosques de Braga (trabalho realizado por alunos do Curso de Licenciatura em Ciências da Comunicação da Universidade do Minho);
15h00 | Mesa-Redonda (Tertúlia), com as seguintes participações:
Moisés de Lemos Martins, coordenador do Projecto "Os postais ilustrados: para uma sócio-semiótica da imagem e do imaginário";
Olga Carneiro, coleccionadora de postais ilustrados;
Henrique Barreto Nunes, director da Biblioteca Pública de Braga;
Pedro Barbas Albuquerque, psicólogo;
Nuno Araújo, fotógrafo;
José Manuel Ferreira, representante da Pró-Associação Portuguesa de Cartofilia;

Mais informações ainda aqui


Monday, March 2, 2009

O postal recto-verso: uma experiência viva

Postal adquirido na semana passada na livraria do Palais de Tokyo, em Paris (França) com reprodução da obra do artista norte-americano John Baldessari A two dimensional surface without any articulations is a dead experience, 1967 publicado por editora alemã e incluído como o nº 2 na série de 50 postais Territorium Artis; 

Esta obra do artista conceptual John Baldessari (curiosamente escrita  a letras de imprensa em vez de manuscrita, por opção deliberada do norte-americano) cabe 'milimetricamente' no formato em que é reproduzida. Espécie de moldura dupla (incapaz de ser pendurada na parede sob pena de se perder uma das faces), o postal é exemplar de uma superfície bidimensional seja porque quer a face quer o verso são normalmente e em princípio superfícies 2D seja precisamente porque, dando outro sentido à ideia de duas dimensões, o postal é um cartão de duas faces, de duas dimensões: uma pública e massiva, outra privada e manuscrita. Mas, ainda mais do que as concepções de um cartão 2D ou de um cartão de dupla dimensão, a ideia-chave nesta reprodução postal da obra de Baldessari é a articulação como fonte da experiência viva que é o postal. Articulação pela interligação entre frente e verso, articulação entre o público e o privado, entre o carácter reproduzido e o carácter original, articulação entre a imagem-texto de Baldessari e o verso em branco com vista a ser manuscrito, articulação entre remetente e destinatário. De facto, pegando nas expressões da filósofa Antonia Birnbaum, se o postal é uma  imagem do mundo (à semelhança por exemplo de um cartaz), ele é, acima de tudo, pela articulação que o seu verso e o seu carácter de documento do correio permitem, uma imagem do mundo no mundo.